2 de agosto de 2017

Os jovens não respeitam ninguém

Os jovens são mal educados, não cumprem regras, só querem saber do telemóvel. Os jovens não se preocupam com os outros, só pensam em neles. Bla bla bla. Etc e tal. Os jovens são tudo de mal. Todos os que pertençam à geração Millenials estão 'rotulados' como menos merecedores, menos fazedores, menos preocupados. Ou estavam. As ideias e mentalidades vão mudando, transformam-se. Mas ainda se ouve muito "esta geração não sabe o que é a vida", "estes jovens não respeitam ninguém". Principalmente, por pessoas com mais de 50/60 anos. 

A ideia de que os 'nós', os jovens, somos todos negligentes é um pré-conceito sem sentido. Atrevo-me a dizer uma estupidez autêntica.



Já alguém se questionou sobre quem passa mais à frente nas filas? Quem mais interrompe os assistentes de venda, quando estes atendem outros clientes? Pessoas com mais de 50 ou 60 anos. 

No outro dia, estava à porta das Finanças, era a única, quando chegaram duas senhoras na casa dos cinquenta e muitos e setenta e poucos. As duas aos gritos, a querer abrir a porta meia hora antes da hora de abertura. Desviei o olhar do meu livro e informei-as que só abria às 9 horas. O que fizeram? Continuaram ali aos gritos e, em vez de formarem fila atrás de mim, puseram-se à minha frente, no pouco espaço que havia entre mim e a porta. Durante vinte minutos falaram (gritaram, porque as senhoras não conseguiam ter um tom de voz normal), diziam que só precisavam de um papel cada uma, era uma coisa, e ambas precisavam de ir ao hospital a seguir. Olharam-me de alto a baixo e até tentaram ler do meu livro. Demasiado invasivo e estranho. Devem ter achado estranho ver uma jovem agarrada a um livro.

Não quis chamar logo a atenção sobre eu estar à frente delas, mas também não estava disposta a ceder a minha vez para duas pessoas tão mal criadas, que encenavam um escândalo só por um lugar. Não me faria muita diferença tirar a primeira ou a terceira senha, mas as regras são para respeitar e dispenso que ser passada por cima. Cerca de dez minutos antes da hora de abertura das Finanças, já a fila estava enorme e ainda só se ouviam aquelas duas pessoas. Chegou outra senhora que perguntou se a fila estava por ordem de chegada. As duas à minha frente responderam logo um sim estridente. Aproveitei a deixa para mandar um "bem, não está por ordem de chegada", com um ar querido e fofo, e um tom irónico para perceberem que não estava disposta a ceder a minha vez. Deram-me logo razão, eu tinha chegado primeiro, não me iriam passar à frente. E assim foi. Quando abriram a porta, todas elas cheias de simpatia, "a menina vá à frente", "a menina é a primeira".

Não fui atendida primeiro. Teria demorado tanto tempo, como se tivesse tirado a terceira senha. Mas pelo menos, não deixei que abusassem. É isso mesmo, abuso. Porque "os jovens são tudo de mal", mas estas situações só me acontecem com pessoas mais velhas. Não estou a pensar só neste caso, já me aconteceu várias vezes, enquanto cliente e quando estavam do outro lado do balcão. Não há paciência para pessoas assim. Começam a barafustar, levantam a voz, reclamam. Tudo sem motivo, a não ser serem atendidos primeiro.



Marisa

2 comentários:

  1. Tenho imensas situações deste género principalmente quando atendo. É muito desconfortável estar a atender uma pessoa e vir alguém (geralmente nessa idade 50-60 anos)interromper o meu atendimento para saber se vai demorar muito porque tem de não sei onde depois e não pode esperar muito! É uma tremenda falta de respeito. Ou então passar à frente de alguém, eu notar e perguntar em tom de desentendida se não estava alguém primeiro dizerem que sim, e a resposta ser que é rápido. A minha resposta é sempre a mesma " Se o senhor(a) concordar tudo bem, senão tem de aguardar a sua vez".
    Tenho uma cliente habitual que é deste género. Quando a vejo entrar já imagino que vai haver chatices!
    E depois nós jovens é que ouvimos comentários desses!
    https://jusajublog.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  2. Acho que isso acaba por ser regra, infelizmente. Na fila do supermercado tentam passar-me à frente, nos transportes públicos querem sentar-se onde eu já estou ou, mesmo que dê o meu lugar, só o aceitam se for "o seu preferido", porque se não for, vão a pé e queixam-se que ninguém se levantou para ele se sentarem, nas paragens interrompem as minhas leituras ou gritam por cima da música dos phones para mandar tiradas vagas sobre a meteorologia. E têm sempre razão ou desculpa para os seus comportamentos. Os jovens, como nós, têm tempo, até porque não fazem mesmo nada da vida e se fosse no tempo deles, iam ver como era. Os jovens são uma coisa do mal.
    ***

    ResponderEliminar