12 de maio de 2017

O lugar de sempre


Há sítios que, mesmo que os deixemos para partir para novas aventuras, novas vidas, novos lugares, irão sempre partir connosco. Fisicamente poderão estar longe, mas carregamos-los sempre no coração e na lembrança para onde quer que vamos. Este é o meu sítio, o meu cantinho, o meu pequeno paraíso. Venho a casa todos os fins de semana, mas nem sempre tenho a oportunidade de desfrutar deste pequeno grande pedaço de  mim. Ou se tenho oportunidade, não o consigo fazer sozinha.

Às vezes é preciso estar-se sozinho, só nós e aquele sítio ou coisa que nos faz bem, que nos recarregar as baterias. Organizar as ideias, cantar sem que ninguém nos oiça, dançar sem que ninguém nos veja, ou apenas ficar a mirar o horizonte vazios de pensamento. Uma espécie de paragem no tempo, necessária para a sanidade mental o equilíbrio da vida.


O mundo não pára. Exige o nosso limite todos os dias. Agitação, barulho, rotina, trabalho, conhecidos, desconhecidos, contratempos, tempos limites... Tudo consome, tudo corrói. Ás vezes até dói. Uma dor que não se sente, não se sabe de onde vem. Talvez apenas uma mera ilusão, um aglomerar de acontecimentos, de exigências, de obrigações. Os lugares são sempre os mesmos, até quando são diferentes. As pessoas também, meros seres com quem convivemos, com quem trabalhamos, com quem até temos afinidade, ou apenas desconhecidos que passam por nós no dia a dia agitado. É tudo igual, mesmo que diferente. A semelhança vem da rotina, da falta de tempo para parar, pensar, respirar.

As rimas não são boas em certos textos, dizem. Isso deixa-me triste. A prosa, escrita num texto corrido e regrado é tão desprovido de sentimento, quanto a vida quando não é admirada. Não tem sentido. Falta-lhe essência. Gosta da prosa ornamentada com pormenores poéticos. E da vida também. O que importa a vida se for tudo objetivo, imparcial, firo? Nada! A vida precisa do sentimento e do sentido da poesia. A poesia é a vida e a vida é poesia. Repetições. Também não podemos repetir palavras em certos textos, mas obrigam-nos a repetir todos os passos a cada dia. Ou então inventam passos novos, demasiados, excessivos, desprovidos de vida. Passos que têm de ser dados mecanicamente, como se fossemos robots. Passos que têm de ser dados todos ao mesmo temo, como se em vez de um ser uno, nos conseguíssemos multiplicar. 

Desculpem, não gosto de ser robot. A pressão aguenta-se, mas tudo o que é em excesso, torna-se difícil de suportar. São precisas pausas. É bom fazer uma mini pausa, tirar nem que seja meia hora, e poder contemplar a paz e o sossego de sempre, e mesmo longe, continua a habitar em mim. Hoje foi esse dia.


Marisa

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