25 de maio de 2017

Dia da Espiga

Hoje é o dia da espiga. Sempre gostei deste dia, de ir apanhar o raminho da espiga pelas cominhos de terra da minha aldeia. É tão bom estar em contacto com a natureza e, ao mesmo tempo, manter a tradição.
Apanhamos a espiga do trigo, as papoilas, umas verduras, umas flores amarelas outras brancas, umas "campainhas". Gostava de dizer o nome de todas as plantas que colhemos, mas não me recordo, a internet não percebe nada das tradições da minha terra e se for ligar para a minha avó a perguntar ela pensa que estou maluca. Apanhamos sempre grandes ramos desorganizados, com muitas papoilas para termos maior probabilidade de chegar a casa com alguma inteira. Já em casa dividimos e arranjamos.os ramos e penduramos-los com as flores para baixo.

Este ano não estou na terrinha. Mais um dia para perceber os pequenos pormenores da felicidade de estar em casa. É sempre assim, não é? É preciso estar longe para dar valor às pequenas coisas. A minha mãe diz que está nevoeira na nossa zona. E até disso sinto falta. Do ar fresco das praias do Oeste. Esta semana serviu para perceber que, afinal, não gosto assim tanto de calor. Ou pelo menos deste, sentido aqui, no meio de uma cidade sem mar por perto.

Gosto do sítio onde estou, mas há em dias em que a vontade de estar em casa fala mais alto e a nostalgia faz-se sentir. Efeitos secundários de se ser muito apegada às coisas, aos lugares, às tradições, às pessoas. Queria estar em casa só para ir apanhar o raminho da espiga nos caminhos estreitos e terra perto das arribas, sentir aquela brisa fresca e cheiro da natureza, ver a minha irmã a correr e rir, e tentar acompanhar o ritmo dela. Também já ia os caranguejos e o polvo que o meu pai apanhou. 

Há dias em que penso que não nasci para viver na cidade. Talvez seja por ter passado 23 anos e meio na aldeia. Será tudo uma questão de hábito. Mas sou mar revolto em que os barcos não conseguem entrar facilmente. Sou ventos fortes que empurram o ar pesado e parado. O que é algo parado? Uma aldeia pode ter movimento na quietude do isolamento. Uma cidade por ser parada na movimentação da rotina stressante. São pontos de vista. São disposições. 

Marisa

5 comentários:

  1. Deve ser tão giro *.*

    r: Partilho na integra!

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  2. Na minha terra Natal não se festejava, mas aqui é feriado e é muito engraçado!

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    1. Não tenho feriado, mas cumpre-se a tradição e adoro. Este ano tive muita pena de não estar presente

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  3. Uma aldeia pode ter muito mais vida que uma cidade...

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