29 de março de 2017

Livro | A Filha Do Capitão

A Filha do Capitão atraiu-me pelo nome e prendeu-me por todo o rumo do enredo. O livro de José Rodrigues dos Santos, faz refletir sobre os caminhos do destino, sobre como cada pormenor da vida influenciará o futuro. Mais do que perceber as dificuldades da guerra, percebe-se as dificuldades da vida durante a guerra, do que era amar, do que era sofrer. Será que as coisas mudam assim tanto em tempos de paz? As paixões proibidas serão sempre proibidas. O amor eterno será sempre eterno. A vida será sempre marcada por actos passados.

A história fala sobre o Capitão Afonso Brandão que se vê a comandar um exército, na linha da frente da Grande Guerra, quando conhece uma requintada francesa que muda a sua vida e lhe dá uma boa razão para viver, ou sobreviver na guerra. O título do livro leva-nos a perceber que, a certa altura, acontecerá algo. Nunca sabemos bem como ou porquê até chegar à altura. A escrita acessível prende à complexa narrativa histórica repleta de acontecimentos em cadeia, com pormenores de suster a respiração.


A cada frase, a cada parágrafo, a cada capítulo a emoção era mais intensa. Era como se estivesse lá, numa aldeia de Rio Maior, numa aldeia no sul de França. num seminário em Braga, no exército em Lisboa, numa universidade em Paris, no meio das Trincheiras portuguesas em La Lys durante a Primeira Guerra Mudial. Deixei-me levar por todas as peripécias paralelas das vidas Afonso, filho de um casal pobre de uma aldeia de Rio Maior no final do século XIX e de Agnés, filha de um casal burguês de uma vila do sul de França, nascida na mesma época do português. 

As lágrimas chegaram sem avisar. Silenciosas, começaram a aparecer nos cantos dos olhos aquando os últimos capítulos. Era como se sentisse tudo aquilo. Era tão real. Estava tudo a acontecer à minha frente. De repente senti-me o Afonso, a Agnés, o Matias Grande e todos os outros personagens. Estava ali ou eles estavam aqui. Não conseguia distinguir. A tensão foi aumentando à medida que o final se aproximava. Senti dor - física e psicológica -, raiva, medo, tremor, frio, esperança, desilusão, amor. Senti vazio e acabei de coração cheio e vontade de mais.

2 comentários:

  1. Eu adoro os livros do José Rodrigues dos Santos :)

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    1. De romance só li este. Mas convenceu-me a ler mais

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