27 de março de 2017

Conta-te histórias

quem és tu? olho para o teu rosto com estranheza. Conheço-te. Será que conheço? Será que alguma vez conheci? Até que ponto conhecemos os outros? Ficam as minhas dúvidas no ar e a imagem do teu rosto também. Reconheço-te. Estão lá os teus traços. Algumas coisas mudaram. Os anos passam por todos e tu não és excepção. Passou quanto tempo desde a última que te tinha visto? Não vale a pena contar. Os números são relativos, quando o sentimento impera.

Hoje vi-te depois de uma eternidade. Reconheci-te mas não te vi como antes. O teu rosto causou-me um arrepio. Questionei-me quem eras, o que fazias, para onde ias. Não valia a pena ir ter contigo. Não valia a pena perguntar. Irias continuar um estranho que reconheço. Uma miragem do passado, mudado pelo presente. Iríamos dizer trivialidades e seguir caminhos opostos, a saber ainda menos um do outro do que o que sabemos até então.

Olhaste para o relógio e começaste a andar. Virei costas e tentei concentrar o meu pensamento noutro lugar, sem cair na tentação de olhar para trás. Consegui não me virar, mas não saíste do meu pensamento. Multiplicam-se as questões e, no fundo, vão todas parar ao mesmo. O que é de ti? O que são as pessoas? O que cada um representa na vida de cada um? Quem é quando está? O que fica quando parte?

As pessoas são uma construção da nossa mente. Elas existem, são de carne e osso, têm uma personalidade singular, e uma impressão digital. Mas, na forma como a vemos, naquilo que representam para nós, no que nos fazem sentir, são apenas uma construção, ou desconstrução, ilusória daquilo que pensamos e somos. e não do que pensam ou são. 


Marisa 

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