16 de fevereiro de 2017

Music Boc | Nunca Parto Inteiramente

Manuel Cruz para mim é um génio. Já falei disso aqui no blog. É daqueles artistas que me canta. Sinto-me exposta em muitas das suas canções, mesmo sem ele saber quem eu sou. As canções conquistam-me assim, para além da sua sonoridade, a letra tem um papel fundamental. E uma boa sonoridade aliada a uma letra que me toque bem no fundo e me retrate é a junção perfeita.

Uma dessas canções foi escrita pelo músico e compositor Manuel Paulo para o álbum "Assobio da cobra", que conta com a participação de vários cantores nacionais, onde Manuel Cruz foi o convidado a interpretar o tema que falo.


"Nunca Parto Inteiramente" é o seu nome. É uma dessas músicas que Manuel Cruz canta como se tivesse a falar por mim. É tão eu, nua e crua. Esta música pode ser a definição da minha relação com a saudade, com a partida, com o que vai e o que fica, ou com o que deixo ir, ficando a segurar essa mesma coisa. 






Nunca parto inteiramente

Não me dou á despedida

As águas vão simplesmente
Presas à sua nascente
É do seu modo de vida

Fica sempre qualquer coisa
Qualquer coisa por fazer
Ás vezes quase lamento
Mas são coisas que eu invento
Com medo de te perder

Deixei um livro marcado
E um vaso de alecrim
Abri o meu cortinado
Fiz a cama de lavado
Para te lembrares de mim



Nunca parto inteiramente
Vivo de duas vontades:
Uma que vai na corrente,
A outra presa à nascente
Fica para ter saudades

Marisa

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