17 de fevereiro de 2017

Ilusões em Prosa

As diferenças entre ambas eram notórias. Enquanto Ana vivia rodeada de livros e adorava a calma e o ar puro da natureza, Tânia era uma típica rapariga citadina que adorava a correria do dia-a-dia e para descontrair umas boas maratonas de séries. Enquanto Ana era discreta, e se vestia roupas lisas em tons monótonos, Tânia era extravagante e tinha o guarda-roupa repleto de peças que despertavam a atenção de qualquer um. E eram todas estas diferenças que atraiam Tânia. Ana trazia-lhe toda a paz que nunca sentira até a conhecer. Quando a viu pela primeira vez, descobriu o seu nirvana. Aquele que a leva para uma dimensão paralela e fá-la acreditar no paraíso, não aquele que tanta vez toca no seu ipod em volume máximo.


Ana não gostava de arriscar. O sentimento que tinha por Tânia era tão forte como que Tânia sentia por si, mas o impacto que seria sair da sua zona de conforto atormentava-a. Não sabia se a rapariga por quem se apaixonou, no momento em que foi contra si por andar em passo largo e tão distraída como só ela poderia ser, iria conseguir compreender a sua necessidade de tranquilidade. Duvidava que ela, uma rapariga de uma vila pacata dos subúrbios iria conseguir adaptar-se à correria da rapariga que tinha a pulsação em sintonia com o trânsito louco da cidade.

- E se não der certo?

- E se não pensássemos em "ses"? - interpôs Tânia sempre com uma solução fácil para uma vida leve.

- Somos tão diferentes. O que poderás querer de mim?

- O que não encontro em mim... - deixa a ideia no ar e sorri-lhe, admira-a como se tivesse perante o mais raro e belo fenómeno da natureza. E estava. Para si, aquela rapariga à sua frente era o mais raro e belo fenómeno de toda a sua vida, o raio de sol mais forte e brilhante que iluminava a sua escuridão, a luz que não que encontrava em mais nenhum lugar.

Ana sorriu. Não lhe conseguia vencer. Tânia desmontava a sempre, fosse com palavras, com gestos, ou com um simples olhar.

- És doida. - Foi a única coisa que conseguiu proferir num suspiro.

- E tu fazes de mim a doida mais feliz do mundo. - sussurrou a outra rapariga, aproximando-se mais de Ana para lhe dar um beijo leve e lhe pegar na mão. - Só quero que sejamos a felicidade uma da outra....

- Vou ficar doida também

Tânia fitou-a como numa súplica . Ana continuou.

- Enlouqueceremos na felicidade.

Enlouqueceram em gargalhadas e beijos. Rumaram contra todas as diferenças, descobrindo gostos comuns e redescobrindo a vida. Entre a simplicidade e a espontaneidade que o amor necessita par sobreviver.

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