11 de fevereiro de 2017

Dream About | o fado da memória

O quão estúpidos podemos ser ao querer relembrar e relembrar o passado. Trazer à tona memórias que já não voltam, pessoas que já não conhecemos de tanto tempo sem as vermos, sítios que mudaram, sentimentos que já não são os mesmos, mas apenas uma visão desfocada do que foi. 

O quão estúpidos somos ao reviver mentalmente histórias, conversas, memórias. O que são as memórias afinal?
As memórias não passam de uma ilusão do que foi. A mente tende a ser selectiva e restritiva consoante a predisposição da alma. e faz com que as memórias nunca sejam exactas, apenas fragmentos do que realmente aconteceu, misturados com o que acreditamos que foi e o que sentimos sobre quem, o que ou onde foi. 

E mesmo sem memórias concisas, mesmo com tempos incontáveis entre o passado e o presente, mesmo com certezas mais que absolutas de que o que foi não volta a ser continuamos neste sentimento que todos dizem ser só nosso, nesta saudade nostálgica e inexplicável. Porquê? Porque é que não simplesmente para seguir em frente? Será mesmo este o nosso fado, viver a nostalgia da saudade, num pranto de emoções pelo que já não é, impossíveis de explicar? 


Marisa 

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