2 de janeiro de 2017

Regressar

A vida prega muitas surpresas. Quando se pensa que algo é certo, ela vem e troca as voltas, deixa a dúvida do certo e do errado. Onde se está bem? Onde não se quer estar? Onde se quer estar?

Se há um mês atrás estava desejosa das "férias" de natal, não para poder descansar porque previa-se muito trabalho que se veio a confirmar, mas porque poderia estar em casa. Na minha casa, na minha terra, com a minha família, sem me preocupar em ter que fazer comida, sem ter que sair de casa se estivesse frio, estar no meu quarto, o quarto só meu, sem ter grandes horários, ter a minha casa de banho, o meu chuveiro com a pressão de que eu gosto... Já me tinha esquecido que uma das motivações para ter seguido outros caminhos era sair de casa, conhecer outras coisas, ter rotina e agitação. Aqui tenho agitação... somos seis cá em casa, como não poderia existir agitação?! Mas é diferente.


Na semana antes das "férias" já pensava que iria ser complicado ficar tanto tempo seguido em casa. E como estava certa... Ao fim de cinco dias já estava farta de cá estar. Não que não goste de estar na minha casa, é o meu lar, adoro isto e tudo o mais. Só que quando se entra num ritmo que se gosta, em que não se tem que estar constantemente a relatar todos os passos, quando se cria os próprios horários (menos para fazer barulho no quarto, que não quero que a minha colega me mate =D), depois é difícil, estar mais do que os dois/três dias que habitualmente se passa em casa.

Amanhã era para regressar à cidade onde estudo de manhã - hoje há tarde também era uma hipótese em aberto e desejada... não deu - mas como o tempo está uma treta com esta chuva toda, e como tenho muita coisa para levar, aproveito a boa vontade dos meus pais em me ir pôr, para não ter que andar numa roda viva de transportes, e vou só ao final do dia, Já me sinto sufocada de estar tanto tempo no mesmo sítio. Queria já estar lá. Se não fosse a quantidade de coisas a levar e o que tinha que cá hoje, já tinha ido embora.

É estranho estar tanto tempo cá. Sinto falta daquilo, e agora só penso que, se não for a nenhum recurso, vou estar cá em casa quase um mês... Quem sou eu, que se sente bem em largar o ninho?! Quantas mudanças estão a acontecer?! Gosto disto. É um bom sinal e um bom caminho... sinto-o.



Marisa

2 comentários:

  1. Quando temos a nossa independência é difícil voltar a ter que dar conta de tudo o que fazemos a terceiros. Vivi dois anos fora de casa quando estudava e voltar para casa no fim desse período foi complicado no início. Ter que voltar às rotinas diferentes das que tinha criado, contar com mais pessoas que não eu, enfim... Mas habituamo-nos de novo num instante!

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    1. É mesmo. Nunca pensei estranhar tanto ao fim tão pouco tempo "fora"e vindo a casa todos os fins de semana

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