Fui ao baú

1/07/2017

Quantas horas, quantos dias, quantas semanas, quantos meses... foi quase um ano dedicado àquele projeto, Tantas dores de cabeça, tanto tempo em frente ao computador, tantos histórias e risos e angústias durante aquele período, ou sozinha no quarto, ou muito bem acompanhada no centro de recursos da escola. Foi um ano tão difícil a nível de trabalhos e tão fácil a nível de companheirismo e cumplicidade, amizade. Voltava atrás já hoje, mesmo cansada e cheia de sono. Voltava com um sorriso no rosto e vivia tudo outra vez, com aquela maltinha toda. Ai que está a bater a saudade e a nostalgia...

E já passaram cinco anos e meio, quase seis. O tempo passa tão rápido e as recordações teimam em assentar raízes no coração. E, quase seis anos depois de a ter entregue e apresentado fui buscá-la. Não ao baú propriamente dito, mas à memória do computador. É o efeito das novas tecnologias, mas também a tenho em papel e posso senti-la, sentir o esforço e trabalho do meu 12º ano. Ou de parte dele. 

Continuando - e não dando asas a mais sentimentos para não correr uma lágrima, ou rio delas,
ao relembrar os bons velhos tempos - o projeto de que estou a falar é a minha Prova de Aptidão Profissional, para os leigos nestes assuntos, o grande projeto que tive que fazer para acabar o secundário no ensino profissional. Fui "desenterrá-la" para tirar ideias e ter bases mais concisas para elaborar um trabalho para uma cadeira da faculdade.

Hum, alguma coisa melhor que o ensino profissional?! Pode não ser perfeito, mas a verdade é que, no que diz respeito a trabalhos e organização de ideias e muitas vertentes, não há melhor preparação. Uma pessoa até estranha quando se chega à faculdade e pedem trabalhos pequenos, por outro lado não estranha nada ter que fazer índices elaborados, introduções de outro mundo e conclusões filosóficas e tudo bem estruturado e regrado cheio de rodapés, logótipos, cabeçalhos... E não sou a única que diz isto, toda a gente que conheço que andou no profissional e depois foi para a faculdade partilha desta opinião.

E então aqui estou eu, com o documento da PAP aberto para me auxiliar a fazer um trabalho que vai servir para avaliação final de uma cadeira. E só não vou buscar a versão papel porque está no quarto do meu irmão que já está a dormir. Senão ia, só para a sentir, só para lhe tocar. Porque sim, eu consigo ser sentimental com um trabalho antigo, porque aquelas cem páginas são a representação física de muita coisa, muitas histórias, muitos sentimentos, de um passado querido. E, para além do mais, ainda têm a capacidade de ser um auxílio o presente virado para o futuro. Então tenho todo o direito de ser sentimental com a minha PAPezinha do meu coração, porque tenho muito orgulho no meu trabalho e nas vivências, e no local, e nas pessoas que estiveram presentes nos tempos desse projeto. 


Marisa

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1 comentários

  1. Ai aquele momento que vem a saudade da ESCO, dos tempos lá vividos e do trabalho que mais gostei de fazer ao longo daqueles anos ... Fomos felizes naquela escola que será sempre nossa

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