7 de janeiro de 2017

É um crepe e um gelado

Trabalhos, frequências, aulas extras, stress pós traumático de ter passado duas semanas enfiada em casa agarrafa a cadernos e com mau tempo lá fora, a ideia que não ia poder ir onde queria, estar com quem queira esta semana e na próxima... Não aguentava mais. Não conseguia estudar. A matéria da próxima frequência era um furacão sem sentido na minha cabeça. Não conseguia organizar as ideias. Não estava bem. Fugi.

Fugir dos problemas não é solução. Problemas devem ser enfrentados de cabeça erguida e resolvidos. A minha resolução era só uma, fugir. Saí da segunda aula de ontem a meio e faltei à última, fui para casa, comecei a fazer a mal, almocei,  acabei de fazer a mala, e vim embora. Não queria a casa,
queria os meus primos, queria o sorriso malandro e as parvoíces do meu primo, a simpatia e conversas da quase prima, queria um crepe de chocolate com gelado de Oreo. No fundo queria um refúgio. E se isso implicasse faltar a uma aula onde iria ter falta, mas na qual não iria fazer nada, então que tivesse falta. O que não podia faltar era eu, a minha motivação, a minha confiança.

Às vezes a solução é fugir para nos encontrarmos. Esquecer as obrigações que não perdem muito em ser adiadas umas horas, libertar o pensamento, adoçar a boca e gargalhar a vida rodeados de quem da paz. Foi o que fiz. Fugi para Torres, prefiri ir para a aldeia mais tarde com o pai, do que cedo no autocarro. Esqueci momentaneamente o que tinha para fazer. Aproveitei aquelas duas horas de nirvana. E quando cheguei a casa para passar o fim de semana estava como nova. O trabalho simplesmente fluiu, o estudo está pacífico e a confiança regressou.

Há muitas coisas, seres, deuses, pessoas para ter fé. Eu tenho duas pessoas fantásticas e não me importo se de certa forma, for infantil a forma como fujo para eles. Cada um com as suas soluções. Cada um com os seus portos de abrigo. Eu tenho dois ombros amigos.

Marisa

3 comentários:

  1. Muitas vezes quando temos esses momentos de grande stress e que estamos mais em baixo o melhor mesmo é parar e estar com que nós mais gostamos.
    Vais ver que vai tudo voltar a correr bem.
    Respira fundo e pensa naquilo que mais te faz feliz e quando sentires realmente confiante arrasar com tudo.
    Boa sorte e vai tudo ficar bem :) beijinhos

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  2. Não é criticável. De vez em quando, temos mesmo de libertar-nos das obrigações e fazermos o que bem queremos. Desde que não seja o número de vezes suficiente para nos prejudicar, tudo ok =)

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  3. Toda gente precisa desses momentos...
    Quando li "comecei a fazer a mal" assustei-me, mas depois percebi que faltava um "a"...

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