25 de janeiro de 2017

25 de Janeiro por uma Benfiquista

25 de Janeiro. Um dia aparentemente normal, não fosse eu benfiquista e sentimentalista e que não tivesse queda para datas.

Janeiro 2004, estávamos a poucos meses do Euro 2004 e a febre do futebol, inerente a esse evento, tinha começado a atingir-me. Tinha 10 anos, quase 11, e no dia 25 do mês em questão vi o meu primeiro jogo de futebol. Na altura torcia pelo Benfica por culpa do meu pai, com o decorrer do tempo comecei a ser fanática pelo Glorioso por culpa do Benfica. Quando assisti pela primeira vez a um jogo de futebol, estava longe de imaginar que ele me iria marcar para a vida. Não percebia nada de futebol, não sabia o nome dos jogadores, não sabia em que posição em que o Benfica estava, e tão pouco como funcionavam os pontos e as regras do jogo. Estava na casa da minha tia, e a família estava reunida, um fim-de-semana normal da altura. Vitória de Guimarães vs Sport Lisboa Benfica. Jogávamos no berço da nação e nem perto estávamos do "colinho", mas a instantes das lágrimas.
Os jogadores corriam de um lado para o outro, o jogo não estava muito favorável ao clube da luz, mas nada que me lembre muito bem pois não percebia nada daquilo, na altura. Haviam lances, livres, cantos, faltas. A dada altura um jogador de águia ao peito levou um amarelo. Tudo para ser banal. Não tinha ouvido falado dele até ao dia. Ele sorriu, continuou, de repente dobrou-se, pernas flectidas mãos apoiadas nos joelhos. Na camisola dizia Fehér 29. Caiu. Caiu ali, à frente dos colegas, dos espectadores do estádio e de todos aqueles que, como eu, assistiam ao jogo através da televisão. Houve uma roda viva de acontecimentos. Não me lembro de muito mais desse jogo. Lembro-me das caras dos jogadores que continuaram em campo. Eram dor. Não me lembro qual foi o jogador que uma vez disse, que conseguiram o resultado do jogo porque lutaram pelo Fehér. 

Treze anos passaram e nunca esqueci aquele jogo, aquela imagem do eterno 29 a cair. Ainda tremo e sinto um aperto só de pensar nisso. Aquela imagem fica em loop na minha cabeça. Tão nítida. Tão real. Tão dura. 

Posso não ter visto o Miki jogar para além daquele fatídico jogo, mas também nunca vi o Eusébio a jogar e ele será sempre o meu Rei.

O Pantera Negra faria anos hoje, também não me esqueço deste aniversário. Como é possível esquecer Eusébio? Nunca o vi o jogar, mas vi-o, ao vivo no Estádio da Luz, dar o pontapé de saída de um Benfica vs Amigos do Figo. Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Ir à Catedral e ver o Benfica jogar é místico. Ir à Catedral e ver o Eusébio em campo, nem que seja apenas a dar um simbólico pontapé de saída é inexplicável. Estava em casa quando vi a notícia que o nosso Pantera Negra nos tinha deixado. Foi um choque. Eusébio é rei e Eusébio seria imortal. Não consigo imaginar-me a perder familiares, e não me imaginava a perder ídolos (e ainda não imagino, mas já aconteceu por isso já faz parte da realidade), o Eusébio era um desses ídolos que seria imortal. Os nossos são sempre "imortais".

Começou neste preciso momento a dar uma reportagem sobre o Rei e a lágrima apareceu-me no canto do olho. O sorriso no rosto, a ouvi-lo falar e ver algumas imagens dele a jogar, também. É impossível não me sentir tocada perante o nome Eusébio. Das últimas vezes que fui à Luz fiquei perto dos No Name. Com eles quase fiquei sem voz a cantar e a gritar, é sempre assim quando vou ao estádio, grito e berro com alma, mas se há cântico que me toca, que eleva a mística, tanto ou mais quanto festejar um golo, é cantar "Tu és o nosso Rei, Eusébio. Tu és o nosso Rei, Eusébio. Tu és o nosso Rei, Eusébio. O amor da nossa vida". É mesmo. Eusébio é Rei.

E se o Fehér era "nosso", do Benfica, o Eusébio é "nosso", de todos, de Portugal. É um símbolo do futebol nacional. É um exemplo da luta, da força, de talento, de humildade. Eusébio é mística.


Marisa

4 comentários:

  1. Esta data teve um misto de tristeza e alegria até ao ano de 2014. A partir do momento em que o "King" nos deixou, o dia 25 de Janeiro passou a ser somente uma data para recordarmos os que nos deixaram cedo demais. Eusébio e principalmente Fehér partiram cedo demais.
    O Benfica venceu o jogo em Guimarães por 0-1 com um golo do Fernando Aguiar com um toque decisivo do próprio Fehér. Foi o seu contributo para aquela vitória que tão pouco significou no final. Chovia. Chovia muito. EEra a Natureza a sinalizar o drama que estava prestes a acontecer.
    Se vais para perto dos NN quando vais à Luz, estás bem acompanhada ;) Lá estou, semana após semana, sempre preseNNte!

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    1. Consigo esquecer tudo, mas aquela imagem vai perseguir-me para o resto da vida.
      Não vou sempre para o mesmo sítio, mas as últimas vezes calhou.

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  2. é uma data que não deixa nenhum benfiquista indiferente

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