31 de dezembro de 2016

Vamos olhar para trás...

Dia 31 de Dezembro. Último dia do ano. Diz que é dia de retrospetivas e de resoluções. Não sou muito dada as estas coisa. A passagem do ano passa-me quase ao lado. Não sou grande entusiasta destas datas socialmente festivas, Páscoa, Nata, Passagem de ano... são apenas dias. Não que não sejam para ser assinalados, mas também não é preciso um alarido enorme. Planos para hoje? Não tenho. Porquê? Nem pensei nisso. Não há nenhuma razão plausível para pensar assim, apenas não dou muita importância. Não sou de fazer grandes retrospetivas ou resoluções, o passado foi lá atrás e o futuro é uma incerteza que ninguém conhece. A vida foi-me fazendo cética em certos pontos. 

Contudo, este ano apetece-me quebrar um bocadinho a rotina. Mais uma vez, este ano. É dia 31 de Dezembro e estou a (tentar) estudar história contemporânea. Tenho 23 anos, tive história durante cinco anos, tinha sempre 4+ ou 5, e é a primeira vez que estudo história na minha vida. E foi com este pensamento que me apeteceu fazer uma retrospetiva de fim de ano.

Este ano foi o ano. Dei um dos passos mais importantes da minha. Aquele porque esperava e que adiava há cinco anos. Era o limite. Não podia esperar. Mas vamos começar pelo início do ano.


Comecei o ano por começar  um blog um novo, este blog. Foi quase como um acto simbólico da mudança. Queria deixar o passado lá atrás, bem no sítio dele e precisava de um espaço que não estivesse carregado de más energias e recordações. Apesar disso passei alguns textos para o Little Dream, porque há coisas que não quero deixar para trás, há coisas que são boas de recordar, uma espécie de transição.

Em fevereiro a expressão "estar em alta" passou a ter um novo significado para mim, pois foi quando tive alta das consultas da psiquiatra. Custou mas foi e até hoje, não senti falta nenhuma, até porque o preciso mesmo é da psicóloga e não de uma psiquiatra que me encha de comprimidos. Não preciso de comprimidos que me adormeçam da vida, preciso de vida. A vida nem sempre é fácil, mas pude contar com pessoas importantes e por quem tenho um grande carinho ao meu lado. Pessoas que me apoiaram nos momentos menos bons, que me incentivaram para lutar pelos meus objetivos e que festejaram as minhas vitórias comigo.

Algures entre os primeiros meses do ano, peguei no meu carro sozinha. Foram duas vezes de uns quinze/vinte minutos no total de loucura. E depois acabou. Ele está ali, paradito, aparentemente bom de saúde que esta semana os meus pais andaram com ele. Mas eu não lhe toco. Não sei o venda e o tente aguentar e tente começar a conduzir de novo, desta vez a sério. Não gosto de conduzir. Só a ideia atormenta-me. Sei que é um medo que tenho que vencer, mas ainda não foi este ano. E o pior, é que nem estou preparada para o enfrentar. 

Em março inscrevi-me para o exame nacional de 12º ano de Português. Foi o primeiro passo da grande mudança. Comprei um livro para estudar, houve dias em que marrei, outros em que apenas olhei para aquilo como um burro olha para um castelo. Colei um post it na parede em frente à minha secretária a dizer "#rumo_ao_20 #rumo_à_fac" para me motivar. Fiz o exame a tremer. Quando fui ver a nota precisei de companhia, e a companhia não em falhou. Tirei 9,5 na primeira fase e n 8 e qualquer coisa. O resultado foi ter entrado em stress. Valeu-me uma voz amiga, mais uma vez. - O que teria sido destes dois últimos anos sem ele?! - Fui pedir a ficha enes da primeira fase e candidatei-me ao ensino superior no penúltimo dia possível dessa fase. Mudei a minha primeira opção à última da hora, para um sítio onde não ponderava muito ir, mas o factor média e orçamento falaram mais alto. Se teria trocado? Não! Até porque não teria tido entrado naquela que ira ser a primeira opção. Sei porque pu-la em segundo lugar e não tive média para. 

Em Setembro foi a grande mudança. Mudei de cidade, deixei de trabalhar no mini mercado da aldeia para ir para o ensino superior, conheci novas pessoas, fui morar para uma residência a dividir quarto com uma perfeita desconhecida e muitas chinesas como vizinhas (não é xenofobia, é mesmo choque cultural), tive que conseguir estar três horas sentada numa cadeira a escrever e a ouvir professores que não são meus amigos - como aquelas do secundário, que ainda são parte de uma família -, tive que me adaptar a uma realidade completamente nova, praxes (que preferi abandonar), colegas mais novos que eu, com outra perspetiva da vida, com outra mentalidade. Foi todo um mundo novo. Menos a V. A V foi o passado no futuro. Só estivemos uma vez juntas desde setembro, mas ela está lá, está perto, e é sempre bom saber que alguém como a V está perto. 

Entretanto continuei a trabalhar. Fiz promoções aos fins de semana durante um mês, mas deu cabo de mim. Trabalhar e estudar ao mesmo tempo não é tarefa fácil. Mas vou ter que conseguir fazê-lo mais vezes, porque é preciso. Isto de ser adulto e de o "ter de ser tem muita força" às vezes é chato. Mas a vida é um mar de rosas, por isso também tem os seus espinhos. 

O ano está a acabar e o que poço reter deste ano foi mudança e aprendizagem. Sou da opinião que estas situações andam de mãos dadas. É preciso aprender para mudar, e mudar para aprender. E foi isso que aconteceu este ano, mudanças e aprendizagens que me deitaram a baixo algumas vezes, mas que a força me fez levantar e continuar.

Marisa

4 comentários:

  1. Não faço balanços e a única resolução que tomei (nunca as tomo no ano novo) foi a de desperdiçar menos comida)
    Luta, sê preserverante e vais conseguir. Feliz 2017.

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