29 de dezembro de 2016

Etenidades

(escrito numa viagem de comboio há duas semanas)

Estou aqui há uma eternidade. O que é uma eternidade? Perguntam os céticos, É o tempo que eu quiser. É a invariável resultante da soma do humor, do lugar, das pessoas, da vontade, e do amor, matematicamente falando. Ou tentando, que não gosto de contas. Gosto de contar estórias. Gosto das coisas que contam. As eternidades contam. Que conte muitas se forem boas, loucas, duradouras. Que conte poucas se forem assim, apagadas, monótonas, curtas, sós. Sim, as eternidades podem ser curtas. São as piores, as que sufocam. Podem ter menos de uma hora. Conflitos solitários que parecem nunca acabar. A culpa é da vontade. Ou da falta dela. E do cansaço. O cansaço é como o tempo, tem as costas largas e serve de desculpa para (quase) tudo.

Passam-se coisas à minha volta. Há pessoas, casas, árvores, as nuvens parece estar a conspirar a queda de chuva e o comboio não pára. Quando é que o comboio pára? Só quero que o comboio pare. Parou agora, mas não conta. Não me interessa esta estação, nem a próxima, nem as seguintes. Quero a minha estação. Quero regressar a casa. 

Não vou exatamente para casa, mas é como se fosse. Vou para o meu lugar da felicidade. A felicidade é um amor eterno e um gelado. Um gelado também pode ser quente... Pensem nisso enquanto me delicio e sorrio na minha melhor eternidade. Não há melhor eternidade que o calor de quem nos faz bem. A eternidade pode estar dentro de um abraço prolongado ou de uma piada sem sentido. A melhor eternidade é saber da presença de quem nos faz sentir mais e melhor sem precisar de ter sentido.

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