30 de novembro de 2016

Conta-te Poesia

Senti, sem ti
Tudo o que não queria sentir
Sentimentos outrora desconhecidos
Estão agora em ebulição,
Expostos
Expõem-me
Derrubam-me na tua ausência

Sufoco
Fico louco
O que faço?
O que sou?
Onde estou?
O mundo és tu nos meus braços
Laços apertados
Presença
Pertença
Ausência de espaço

Odeio este espaço que corta
Lâmina afiada
Noite gelada
Gelo
Devolve-me o calor
O fogo descontrolado
Fica ao meu lado
Abraça-me
Chama-me amor


Marisa

29 de novembro de 2016

Carta perdida no tempo

És uma recordação. A figura do que passou. A presença do passado que não quero abandonar. Quero guardar-te, ter-te esporadicamente para não apagar as doces memórias, as velhas histórias. Já tenho que deixar tanto para trás - todos temos, é verdade - não me faças deixar-te a ti também. Largar-te seria largar-me. Não pelo que és, propriamente, mas pelo que representas. O passado feliz e a esperança de um futuro sorridente, Não me perguntes porquê. És porque eu quero sem razão nenhuma aparente e por tantas razões das quais não vale a pena falar, e que, algumas, já nem fazem sentido. És porque sim. E porque sim é resposta, porque eu quero que seja assim. És, então, o meu passado e sem o meu passado eu nada sou. Deixa-me ser eu, livre e de mim mesma, mas contigo sem te ter aqui, a não ser num carinho especial que em te guardo. Deixa-me guardar-te e levar-te para o futuro e guardar o meu passado.
Eu não sou nada sem o meu passado. Deixa-me manter-te como símbolo, como linha histórica. Uma espécie de porto de abrigo a que posso voltar sem deixar de ser feliz. Dizem que não se deve voltar onde já se foi feliz, mas eu teimo em fazê-lo. Só o consigo fazer sem me sentir deslocada, porque sei que as coisas mudam.

Nada se mantém. Eu mudei. Tu mudaste. Os sítios mudaram. O mundo mudou. As lembranças também mudam, consoante o passar do tempo. Nada se mantém igual mas eu quero manter-te. Apenas como figura de sorrisos, brincadeiras, crescimento, confidencias, mudanças. Sempre as mudanças, já viste?

A mudança está na base da vida. Mudam-se as fases da vida, mudam-se as estações, mudam-se as personalidades, "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". Menos a minha vontade de manter por perto, lá está.

Na verdade, até essa muda. E ainda bem. Adoro-te, mas era tão difícil estar tão apegada. Sabes que às vezes apegarmos demais pode não ser muito simpático, não é... Agora é diferente. Mudou. Mudança, sempre mudança. É bom ter-te sem te ter. Saber que estás lá se eu precisar. Não querer estar sempre "aí".

Há alturas em que me expresso mais. Em que, se calhar, ainda exijo demais. Às vezes é preciso. Há momentos mais difíceis e sabes que eu tenho tendência  a recolher-me a quem mais confio. Não confio em muita gente, por isso desculpa qualquer dia mais maçador da minha parte. E obrigada por estares aí, mesmo que seja a poucos por cento. É bom ter-te.

É bom manter-te. Até amanhã, até um dia, até sempre. Sem obrigações nem pressões. Sem data ou hora marcadas. Na iminência de um reencontro. Na recordação de um sorriso passado. Na esperança de um abraço futuro. 


Marisa

28 de novembro de 2016

Music Box | Da Nação

Esta canção é sobre emigração, mas tomo-a como minha. Eu que não emigrei, mas que saí de casa, de rumo a norte - não muito -  para uma terra que não a minha, longe do meu mar...




Da Nação, Xutos & Pontapés

São longas distâncias
São luzes na chuva
Gelam-se os ossos
A quem madruga
Traços vermelhos
Que sujam o chão
Tu segues para o norte
E ouves esta canção

Tu olhas em frente

Procuro chorar
Um futuro ausente
Tão longe do meu mar
A comida da mãe
As zangas do pai
São já só saudade
Um lamento e um ai
Vê lá para onde vais
Há uma quimera
Tu vais acabar
Por ter alguém
À tua espera
À tua espera

(...)

Por muito grande que te pareça
Tu tens o mundo
Na palma da mão

Acabas por viver
Acabas por amar
Nessa terra cinzenta
Tão longe do teu mar
Mas nem tudo é mau
A vida acaba por sorrir


Marisa

24 de novembro de 2016

Dispostos

Gosto tanto da correria da manhã em que, ainda ensonada, ponho um creme bb no rosto e o bom do rimel, dois ou três esguichos de perfume e let's go run the world girl, como de quando chego a casa, ao final do dia, agarro nos discos de limpeza e limpo a cara, tomo um banho quente. Gosto tanto de quando escolho uma roupa que me faça sentir bem e bonita - calças justas e camisolas juntas, um casaco, por norma largo e quente, outras justo, um lenço ou gola para aquecer e dar o toque especial e calços as minhas botas pretas ou as sapatilhas, como gosto quando no final do dia, já em casa, visto algo confortável - camisola de pijama ou uma sweat larga, um casaco quente, umas meias foleiras e umas leggins e calço os meu chinelos com mini corações. Gosto da correria das aulas, trabalhos - quando trabalhava no último local, sem contar com os fins de semanas extras noutro sítio, também gostava dessa azáfama - como gosto de passar umas boas horas acompanhada de um chá quente, um bom livro e boa música. E uma manta quente se for nestes dias mais frios. Gosto dos dias quentes de verão, dos dias de praia e das caminhadas ao final da tarde ainda com o sol quente, como gosto das cores do Outono e do invernoso janeiro onde se começa a notar os dias a crescer, ou do regresso das andorinhas e das papoilas na Primavera. Gosto tanto das minhas listas de música de rock, alternativa e indie, como gosto do querido fado. Gosto tanto de ficar sem respiração com uma história de suspense e violência, como gosto de ficar com a lágrima no canto do olho com uma história emocionante, ou de uma história cheia de humor que me faça rir às gargalhadas. 

São os opostos que dão equilíbrio à vida. Opostos que nos atraem. Opostos que nos distraem. Se tudo coincidir não há discrepâncias, não há conflitos. Os conflitos são bons com peso e medida. A vida não pode ser linear, tem que ter altos e baixos. A continuidade cansa, acomoda. A comodidade trava a criatividade. A vida precisa de ser criativa, figurativa, com opostos e sobretudo com dispostos, bem dispostos.

Marisa 

20 de novembro de 2016

São só coisas

Há momentos em que se começa a pensar se uns dias de trabalho compensam. Não a nível financeiro mas de bem estar físico.

Estar muito tempo em pé custa-me tanto e as minhas costas não estão a gostar dessa ideia.

Ser adulto também é isto. Ponderar tudo. Porque não é só o dinheiro que importa...

Marisa

16 de novembro de 2016

Também não sei, mãe

A minha mãe já me perguntou mais que uma vez como é que eu fui capaz de vir morar para um sítio sem mar, e diz que não conseguia viver num sítio onde não tivesse o mar ao lado. Eu também não sei como o consigo.

Pode parecer estranho, mas custa mesmo. Custa não ouvir o mar à noite, quando ele está mais bravo. Custa não ver o mar quando abro a janela de manhã, ou quando a fecho ao final do dia e no horizonte está o pôr do sol a sorrir-me. Custa não poder sair de casa e em cinco minutos a pé estar em frente ao mar. Ao meu mar.

O mar é meu, porque sempre o tive. Faz parte da minha terra, faz parte de mim.

Hoje é dia do mar e não o posso ver. Sinto-me extremamente nostálgica por causa disso. Tenho uma lágrima no canto olho, literalmente, por causa disso. Não me lembro da última vez que fui ver o mar, sem ser da janela de minha casa. Apetecia-me tanto sair e fazer aquele caminho de casa até ao mar, sentar-me num banco ou no muro da arriba e ficar ali, minutos sem fim, apenas a olhar o mar, ouvir o mar, respirar o mar, viver o mar. Porque o mar é a minha casa, a minha fonte de vitalidade, e preciso mesmo dele. Tanto como preciso de respirar, preciso do meu mar.

Marisa

15 de novembro de 2016

Holanda

Sigo duas pessoas no Instangram que as últimas fotos que têm postado são em Amesterdão, e de repente dá uma vontade de ir a Holanda. Só porque sim, só porque deve ser um país lindo, só porque é um dos destinos de "um dia vou viajar até...", só porque de repente me apetecia dois dedos de conversa e meia dúzia de avacalhanços com alguém que está lá...

Marisa

14 de novembro de 2016

Dream About

Onde está o passado? Para onde ele foi? Haverá, algures numa dimensão paralela, um museu do passado, um cemitério dos momentos (não) esquecidos?

E o futuro? O que é isso do futuro? Algo que virá não se sabe como nem porquê? Será algo destinado que chegará com hora marcada, mas sem aviso prévio? Ou é apenas a consequência de actos, do passado e do presente, mascarados de mito?



Marisa

Serve para aprender

Quem é que apanhou um urbano diferente numa de "vou ver se este é mais rápido que o outro..."? Eu. A resposta? Não é! Não é mesmo! Porque é que tive esta estupidez de ideia de sair da rotina? Logo eu que não gosto de fugir à rotina... Merde para isto tudo. Quero os meus tut's de volta...

Marisa

11 de novembro de 2016

Old School

Sinto-me muito Old School quando levo textos para trabalhos de grupo escritos à mão e toda a gente pergunta se não sei que há computadores... Será assim tão estranho que alguém preferia escrever à mão? É-me muito mais fluente criar com papel e caneta...



Marisa

A Heidi que há em mim

Heidi era aquela menina foi para os Alpes viver com o avô e como não tinha mala de viagem levou as roupas todas vestidas, umas por cima das outras.

E assim estou eu, não a ir para os Alpes, mas para a "praia" e não com falta de malas, que levo uma mochila, uma mala de dia a dia e uma bala de viagem com um tamanha considerado. Estou mais com falta de cabeça. Porque tirei a camisola de lã que tinha vestido de manhã e vesti uma fina, de meia estação, porque à hora de almoço e a fazer as malas, almoço e arrumar e limpar tudo antes de sair de casa, esqueci-me que quando chegasse a "casa", ou antes, a meio da viagem o tempo iria arrefer, e eu ia ter frio.

Então aqui estou, à espera do comboio, já com frio e com dois casacos de malha vestidos. Um porque era o que tinha trazido para vestir (que não assim tão dispaçarada), outro que raramente uso e tinha posto na mala para o deixar em casa e não me ocupar (o pouco) espaço no quarto.

Aqui estou eu, toda enchouriçada a parecer um misto entre a Heidi e a mascote dos pneus Michelin. E com ainda com frio, especialmente nas pernas.

Marisa

9 de novembro de 2016

Pois

Sabem quando têm tanto para fazer e não sabem para onde se virar? Pois. É exatamente assim que estou hoje. Estive das cinco e meia até agora, com pausa para banho e jantar, a ver fotos. No Pinterest, no Instangram, no Facebook, no Google. Fotos de ruas, de praias, de pessoas, de monumentos, de graffitis, ilustrações. Fotos e mais fotos só para escolher uma para apresentar um trabalho depois de amanhã.

Depois de amanhã já é sexta feira! Pois, só percebi isso há três horas. Pensava que hoje ainda era terça feira. Afinal já é quarta. Uau o tempo passa mesmo a correr. E as coisa não se fazem sozinhas mas hoje ela diz que não dá, não dá, não dá, não dá. Fica para depois. Vou dormir. As fotos estão escolhidas, só falta ver qual me pode dar mais argumentos para a apresentação. O resto fica para amanhã. Há dias em que só preciso de não fazer nada, dedicar-me ao ócio. Hoje é um desses dias. Sem porquês relevantes. Só porque sim. Porque sim, basta-me.



Marisa

Liberdade

Hoje, 9 de Novembro, é considerado o dia mundial da liberdade. Pois é, a liberdade não é só celebrada a 25 de Abril, devido à revolução dos cravos, é também celebrada neste dia, aniversário da queda do Muro de Berlim. 

Uau! Hoje é dia da liberdade!

Não me sabe a isso. Não, hoje não pode ser dia mundial da liberdade... A sério?! Ok, é mesmo. E, apesar de tudo, é um dia que deve ser lembrado, porque a queda do muro de Berlim foi algo deveras importante na história mundial do século passado.

Contudo é uma grande coincidência ser hoje, dia 11 de Novembro de 2016, que se celebra os 27 anos da queda muro de Berlim e, consequentemente, a liberdade. Hoje, que descubro que a minha liberdade se calhar está um "bocadinho" mais limitada do que pensava. 

Porquê? Porque o meu quarto vai ser vistoriado num dia e horário aleatórios da próxima semana. Pelo menos avisam que o vão o fazer. Sim, fantástico. Tirando a parte que vai ser na minha ausência e não sei tenho como ter a certeza que não mexem nas minhas coisas. Porque é que haveriam de mexer nas minhas coisas? Não sei, mas também nunca se sabe, e ainda por cima se desaparecer algo meu, ou de outra pessoa, na residência não há responsabilidades nem culpados. Não estou a dizer que me vêm para cá roubar coisas, mas não acho certo que entrem no quarto de alguém na sua ausência. Para ver se está limpo? E bater à porta? Sempre me ensinaram que era assim que se faz, quando se quer entrar no espaço de alguém. Não avisavam, batiam à porta e viam que eu a minha colega de quarto até limpamos o quarto porque não gostamos propriamente de viver na imundice. Mas não, tem que ser quando lhes der na cabeça, connosco presentes ou ausentes.


Ah e Trump foi eleito. Fuck this shit



Marisa

7 de novembro de 2016

Diado

Diabo. A figura do mal. Quem tento Jesus na sua travessia do deserto. Quem incorpora todas as tentações do mundo.

O maior "diabo" na minha vida são os emails da Wook. Eu adoro a Wook. Se pudesse seria uma das melhores clientes do site. (E não me estão a pagar para dizer isto, mas se quiserem agradecer, não digo que não). A questão é que não posso e sempre que recebo um press realize deles nasce em mim uma consumista que dificilmente se faz notar. São os livros, meu deus, são os livros. São eles os culpados dos meus pecados, são eles que me dão vontade de ser consumista, são eles que me prendem. São eles a minha vida. Como dizer constantemente que não a livros sem sentir dor? Não me parece possível. A lista de livros que quero ler cresce de dia para dia. Falta-me o tempo e o dinheiro para eles. Precisava de pelo menos mais uma vida para ler todos os livros que gostava. E não é cliché, é mesmo verdade. Pura e dura. A verdade que dói só de pensar que a vida é curta demais para não se conseguir ler tudo o que se pretende. Isso sim é obra do diabo. Só espero que haja vida para além da morte, para poder continuar a ler.


Marisa

6 de novembro de 2016

Ironia

Haverá sempre uma gaja que se vires toda, fica com mais tinta na cara que um palhaço, e põe uma hashtag ou descrição a dizer "linda sem make up". Não faz sentido. Ninguém vai acreditar nela.

Marisa

4 de novembro de 2016

Desligar

É sexta-feira. O dia mais esperado da semana. Menos para quem trabalha ao sábado e domingo. Para além da faculdade, e porque o dinheiro não cresce nas árvores, vou trabalhar alguns fins-de-semana, ou pelo menos assim o espero. Começa amanhã mais uma rodada de promoções. Vai ser o dia todo, os dois dias do fim-de-semana e tenho quantro trabalhos para fazer para ontem. Três, porque um deixamos em stand by até organizar-mos os restantes. Há quem se choque de eu dizer que preferia fazer duas frequências por cadeira do que apenas uma e um trabalho, a verdade é que um trabalho implica uma série de obras e artigos, e mais umas tantas edições de jornais com quase oitenta anos.

É complicado. É muito complicado, e o ritmo de estudo e trabalho já anda a deambular por caminhos alheios aos meus há algum tempo. Este fim de semana ou fins de semanas de trabalho vão encurtar muito o tempo para me dedicar à faculdade e aos trabalhos, mas sem eles as coisas também ficam mais difíceis, já para não falar que me sinto mal por não trabalhar, preciso de o fazer por necessidade económica e por descargo de consciência, quero e gosto da minha "semi-autonomia" financeira e não quero sobrecarregar ninguém por um "capricho" meu. Ninguém disse que isto ia ser fácil, porém também nunca imaginei o quão difícil seria. Tudo se consegue. É preciso força, dedicação, ambição e acreditar. 

Bola para a frente, que o tempo está a contar. Mas agora é tempo de fechar os olhos, desligar-me, porque um dia de aulas aguento bem com sono, já um dia de trabalho é mais difícil...

Marisa 

Será desta?!

O meu próximo objetivo em relação ao meu look é deixar crescer o cabelo até por baixo dos ombros, e a franja de modo a que a consiga prender a trás da orelha. Não vai ser tarefa fácil. De certo que vou andar muitas vezes chateada, ou mais chateada ainda, com o meu cabelo mais rebelde que um adolescente beto que decidiu virar punk, mas irei conseguir. Já estou cansada de ter o cabelo pequeno, de não o poder apanhar num rabo de cavalo bonito, ou numa trança, ou num coque (meu deus como eu adoro esta expressão... posso antes dizer carrapito da dona Aurora, como naquela música tradicional infantil? Pleeeeaaase...). Estou farta de estar sempre com o alisador atrás porque ela decide ficar sempre revirada quando está grande, ou em pé nos dias seguintes a cortá-la.

Basicamente, apetece-me mudar! Até porque mudar faz bem, é saudável, vitalizante e tudo e tudo e eu gosto. Porque a vida já é demasiado monótona para estarmos sempre com o mesmo penteado.


1 de novembro de 2016

Conta-te poesia

Descolei em direcção ao desconhecido e acabei por me conhecer
Descolei em direcção ao desconhecido e conheci-me.
Entrei em novas batalhas
Descobri novas armas
Andei por novas estradas
Parei em novas paisagens
Falei diferentes idiomas
Encontrei diferentes personagens
Guardarei novas memórias
Escreverei novas histórias

Marisa