30 de agosto de 2016

17 em 17 anos

E acabou!
Perdi a conta às contas que se fizeram, para os anos que faltavam, para os anos que tinham passado, para os anos que iríamos ter... Perdi a conta às histórias que se contaram de como tinha sido há 17 anos, eu não me lembro de praticamente nada, na altura só tinha 5 e 6 anos. Perdi a conta às vezes que imaginámos como iria ser a próxima visita da imagem peregrina de Nossa Senhora da Nazaré à nossa paróquia. 

Não sou nada religiosa, não vou à missa, não rezo, não sei mais que três orações, e mesmo assim já me engasgo nas mesma, fiz a catequese até ao fim, até ao crisma, depois afastei-me da igreja, mas gosto destas coisas, da tradição, do que se vive nestas alturas, há uma intensidade diferente e uma aura mais positiva no ar.

Estes festejos ocorrem em 17 paróquias diferentes, dois anos em cada freguesia, o ano da chegada e o ano da partida. A imagem da nossa senhora da Nazaré regressa a cada paróquia de 17 em 17 anos. Recebemos a nossa senhora da Nazaré o ano passado. Despedimos-nos dela este ano. Foram 10 dias de festa em cada ano. 10 dias que passaram a correr em ambos os anos. 10 dias que o ano passado tiveram um sabor especial porque foi o regresso, porque mal me lembrava da única festa destas que tinha vivido, porque, 16 anos depois, recebemos, na mesma festa, a banda que todos queríamos, a melhor de há 17 anos, a que todos diziam que "têm que os trazer cá outra vez", os Xutos & Pontapés. A deste ano foi especial porque foi o ano da despedida, porque o vivi mais intensamente, porque participei, mesmo que pouco, porque contribuí, também mesmo que pouco, foi o máximo que consegui, porque disse eu vou todos os dias e vou aproveitar isto porque não sei como vai ser daqui a 17 anos, nem tanto se estou cá, quem cá está, porque a vida dá muitas voltas e eu quero aproveitar a minha terra e agora, "o" agora". E assim o fiz. Não fui todos os dias, falhei um. Vi concertos que nunca pensei em assistir, ajudei um dia na quermesse, coisa que nunca pensei fazer, vibrei, gritei, aplaudi, fotografei, filmei, emocionei-me, não chorei. Escrevi, para não chorar. Não foi tudo como planeado, mas nada é perfeito, e esta festa também fica marcada por um triste e infortúnio - vamos acreditar que foi melhor assim. 

A festa acabou no domingo. Senti-me nostálgica. Principalmente no final do fogo de artifício, aquele momento em que acaba mesmo, em que as pessoas começam a dispersar-se, em que se olha uma última vez para os palcos, para os bares, para as bancadas, para o arraial, para o céu. Agora esperamos por ela até 2032. Faltam 16 anos. Até lá voltaremos a fazer contas ao tempo que passou, ao que falta passar, aos anos que vamos ter. Voltaremos a contar histórias, desta festa e das que já vivemos e a imaginar a próxima festa da nossa senhora da Nazaré... 

Até 2032

Marisa

2 comentários:

  1. Nunca tinha ouvido falar dessa festa, mas é giro isso de 'correr' as freguesias :)

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    1. É da zona de Torres Vedras, Mafra e Sintra... É muito giro

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