25 de junho de 2016

Rimel(olosa) com make up

Em 23 anos perdi a conta às vezes em que ouvi que me devia maquilhar, que devia cuidar mais de mim, que devia vestir-me melhor de vez em quando e não ser tão desleixada com a roupa, com a pele, com isto e com aquilo. Em 23 anos perdi a conta às vezes em que ignorei ou me frustrei com palavras do género. Em 23 anos a conta às vezes em que disse que não gostava "dessas coisas femininas". Não que tenha sido uma grande maria-rapaz. Não trocava as bonecas por jogos de futebol, gosto muito de assistir, mas nem nunca tive jeito para o desporto. Não vestia roupas de rapazes ao invés de roupas de rapariga, apenas nunca foi (ainda não sou) adepta do cor de rosinha (mas acho muita piada à Rosinha :P), e sempre fui mais adepta de calças de ganga e t-shirts, ténis e uns chinelos do dedo, tudo confortável. Nada de camisas, nada de saias, nada saltos, nada de maquilhagem. Até o creme hidratante eu rejeitava.

Aos poucos, quem me rodeia, quase que foi "desistindo" de mim. Que a miúda tem um quê de teimosa e não dá o braço a torcer. Essas coisas femininas não eram para mim e não havia volta a dar. Não valia a pena insistirem porque eu não queria mudar, estava bem como estava. Nos últimos tempos (já posso dizer anos, mas isso faz lembrar como o tempo voa) tenho vindo a mudar. Senti necessidade disso. A minha ansiedade foi a pior coisa que me podia ter acontecido, aquilo que eu nunca desejarei a ninguém, mas há que (saber) retirar o lado bom das coisas. Ainda estou a aprender a fazê-lo. A vida é uma aprendizagem e ciclos e ciclos de mudança.

No meio das minhas mudanças em relação às questões femininas, só uma coisa com a qual me mantive reticente... Maquilhagem! Acreditem ou não, a primeira (e única) vez  que me maquilhei foi há duas semanas. Não me maquilhei, maquilharam-me, a minha madrinha, que eu não faço a mínima ideia de como me maquilhar. Não sei como é que a madrinha me convenceu, mas convenceu e fez um bom trabalho. Não fiquei muito berrante, foi uma coisa soft, mas com direito a tudo e mais alguma coisa. A maior ironia da minha vida é que tenho uma madrinha disposta a ensinar-me a maquilhar, a arranjar-me os produtos todos e a dar-me as melhores dicas e sempre abominei esse tema. Até há duas semanas, em que me rendi, porque ia a um casamento e dá lá uma corzinha, um toquesiznho, qualquer coisinha. No dia seguinte peguei num dos rimeis que a madrinha me tinha dado (já há algum tempo) e decidi pôr. Gastei muito desmaquilhante a limpar-me de todas as vezes que tentei pôr o dito cujo nas pestanas e fiquei toda borrada. À quarta ou quinta tentativa consegui ficar bonita. Entretanto peguei o gosto. Não ponho todos os dias. Até porque não me sinto bem a trabalhar de rimel num minimercado. Ou porque se não vou sair não ou pôr. Hoje não tinha intenções de sair de casa, mas para além do creme e do bb lá fui pôr o rimel. Só porque sim. Só porque queria mimar-me. Só porque me apeteceu. Só porque gostei. Só porque estes pequenos pormenores de mudança me fazem sentir bem.

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