20 de junho de 2016

Orgulho e amor próprio e causas importantes

No último ano tem se falado cada vez mais em defender o que nós somos, a lutar pelos nossos direitos, não de trabalho e outras politiquices, mas dos direitos da humanidade. (isto agora fez-me lembrar o meu texto do exame e não gostei). O amor próprio, o orgulho no nosso eu...

Tivemos um aumento de "lutas" feministas. Sim é muito bom a igualdade de direitos entre homens e mulheres, mas se um homem me quiser pagar um almoço ou uma simples bebida, eu não me importa nada, se ele quiser abrir-me a porta ou dar-me passagem também é na boa. Até agradeço. Principalmente a parte do almoço... que uma pessoa tem que poupar e comer fora está muito caro. Não obstante, também eu não me importo de fazer nada disso de quando em vez, só porque sim, só porque me apetece, só porque é alguém de quem eu gosto. E também não quero que mo inibam de fazer por ser mulher. Assim como não quero perder direitos, não quero ganhar menos que um homem, não quero ter menos (ou mais) hipóteses de conseguir um trabalho, não me quero sentir obrigada a nada, nem quero que digam que o meu lugar é a tomar conta da casa e tenho que ter uma equipa de futebol de filhos, nem quero perder a minha "voz", tudo isto só por ser do sexo feminino. Sim, não somos homens, mas podemos ter um grande par de colhões e fazer o que nos der na telha, com conta e medida, que tudo tem a sua conta e medida.

Depois temos o "orgulho gay". Boa! Não se escondam. Não finjam ser quem não são só porque há gente muito retrógrada que pensa que gostar de alguém do mesmo sexo, ou gostar de pessoas de ambos os sexos é um doença letal e contagiosa, ou uma moda. Não sei qual das ideias é mais absurdas. Boa, acho bem orgulharem-se de quem são, se eu um dia me apaixonar por uma gaja ter a coragem para o admitir.

Isto é tudo muito bonito, só que não era capaz de estar a lutar contra todas as coisas machistas, ou melhor muitas delas, pseudo-machistas, assim como não era capaz de ir para uma marcha cheia de bandeiras de arco-íris a cantar "I kiss a girl and I like it" ou "I will survive".Não me sinto inferior nem superior que mulheres ou que homens, que homossexuais, bissexuais ou heterossexuais. Somos todos iguais, não somos definidos por sexo, cor, etnia, orientação sexual, beca beca. Somos pessoas.

E como pessoas temos o direito de defender as nossas causas. Eu tenho uma causa muito nobre. E sei que tenho pelo menos duas apoiantes, a minha mãe e minha prima M. No dia da marcha do orgulho gay eu estive a passar a ferro. O que é que isto tem a ver?! Não muito é verdade. Também não passei grande coisa, umas roupas minhas apenas. Entre as peças, duas camisas que eu adoro mas que me custam horrores passar. Porque é que as minhas peças de roupa mais guilty pleasure são as que mais custam a passar? É vincos e mais vincos, e passo de um lado, amachuca do outro. Meia hora passada e láa está tudo perfeitinho (quase perfeitinho), mas no caminho da tábua de engomar para o roupeiro roupeiro fica logo com algumas marcas, as marcas da frustração, e ao vestir mais marcas, mais frustração, e depois de vestir, sento-me e o raio da camisa, seja ela qual for, fica logo com um aspecto de que acabou de sair da máquina de lavar e está toda amachucada.

Posto isto, se há marchas para defender o orgulho gay, eu sou a favor que devia haver uma marcha que defendesse o orgulho amachucado. Vamos todos sair à rua com as nossas roupas amachucadas que custam um balúrdio (eu por acaso não paguei nada pelas minhas, que me foram dadas em segunda mão - obrigada N, gosto muito de ti) e que nos custam ainda mais a passar, fazendo-nos perder tempo, energia e água. Vamos todos sair a rua amachucados, porque todos temos o direito a passar o final de tarde de domingo a ver o mar e não a engomar roupa! Orgulhemo-nos de sermos amachucados!

Marisa

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