12 de abril de 2016

Ilusões em prosa

Shiu! Não digas nada, não quero palavras. Fala-me apenas com o olhar, não uses a boca a não ser para me beijar. Beija-me! Quero sentir os teus desejos húmidos. Sim! Começa aí onde estás, nas mãos. As mãos são um óptimo sítio para começar a amar, faz-me lembrar os romances no tempo dos reis onde era proibido, nas cortes, onde tudo era concebido. Ai! Suspiro. O teu respirar provoca-me arrepios. Tremo. Gemo. Geme! Grita! Grita comigo. Amar é gritar a uma só voz, falar com o coração, entrar em fusão, ser eu, seres tu, sermos nós. Juntos. Nós. Sós. Esquecer o que está lá fora, olhar o que está cá dentro. Viver dentro, mexer dentro, sentir dentro. O que conta é o interior. O exterior também, se for o meu, o teu, ou nosso. Dentro de mim. Fora de ti. Em nós. Nunca estaremos sós.
Nas cortes do mundo exterior, onde é tudo é proibido, temos os nossos aposentos restritos onde só o amor é permitido, onde tudo é concebido, onde tudo é concedido. Concede-me mais um beijo, mais um grito, mais um suspiro, mais de ti, mais de mim, mais de nós, mais amor.

Marisa

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