25 de abril de 2016

25 de Abril | Liberdade

Peguem nas armas e e nos cravos e vamos fazer uma revolução! Uma revolução séria. Como a de 74. Vamos lutar por nós. Não votemos. Que ninguém vote. Vamos pegar nas armas e nos cravos e vamos fazer a revolução. Vamos gritar Grândola e Depois do Adeus. Vamos ser os novos MFA.

Ou então deixemos-nos estar. Afinal é sempre isso que o povo português faz. Somos o povo do "desenrasca", do "deixa andar", do "mais ou menos", do "vai-se andando" e do "assim, assim". Fazem muitas manifestações e greves que nunca dão em nada, ou então são prejudiciais como esta da TAP. Há uns tempos andaram a cantar "Grândola vila morena" por ruas deste país e o que valeu? Nada!

"Grândola vila morena/ terra da fraternidade/ O povo é quem mais ordena/ Dentro de ti, ó cidade (...) / Em cada esquina há um amigo/ Em cada rosto igualdade". Foi isto que se ouviu naquela madrugada de 25 de Abril de 1974. Era a segunda senha e o MFA estava pronto para avançar, para lutar pela fraternidade, pela igualdade, pela liberdade. Conseguiram. Aqueles homens munidos de armas que mal usaram e de esperança de conseguirem um país livre e justo mandaram a ditadura a baixo e trouxeram de novo a Democracia. 41 anos depois a Democracia é apenas "demo". Algo que assombra o povo que de longe não é quem mais ordena.

"Quis saber quem sou/ O que faço aqui/ Quem me abandonou/ De quem me esqueci". Ouvia-se igualmente na madrugada de 25 de Abril de 1974. Esta foi a primeira senha. Hoje, e "Depois do Adeus" ouço esta canção e o que me vem à cabeça é o seguinte:
 - "Quis saber quem sou" - somos um povo inconformado e incapaz;
 - "O que faço aqui" - vamos tentando sobreviver com as poucas condições que nos dão;
 - "Quem me abandonou" - a democracia, o governo, os ministros, os "donos disto tudo", os que nos roubaram e continuam em liberdade
 - "De quem me esqueci" - de quem esteve lá, de quem o tornou possível, das caras do 25 de Abril.

Bem, na verdade eu não me esqueci deles. Nunca me irei esquecer. Nasci em 93, a um ano e 3 dias das comemorações do 20º aniversário da Revolução dos cravos. Nasci num país já livre, e por ser livre dou valor a quem me concedeu esta felicidade de poder estar aqui neste momento, como em tantos outros, a dizer o que penso. Sou de 93 mas grito "25 de Abril sempre" como se tivesse lá estado, no Largo do Carmo, naquele dia de mudança. E é por isso que me custa ver as notícias e ver que este país se resume a corrupções, tudo à grande para os ministros e cortes na cultura, na educação, acordos ortográficos sem sentido, jovens a emigrar, etc. Podia estar aqui o resto da noite.

Quero um novo 25 de Abril! Quero viver num país onde seja bom de viver! Quero justiça! Quero que ninguém se esqueça daqueles que nos deram a liberdade! Eles lutaram por um país melhor, não vamos esquece-los só porque está difícil e deixar de lutar pelo que acreditamos. Sei que é difícil de acreditar, mas a esperança ninguém nos pode tirar. Vamos lutar! Por nós que estamos cá agora! Por eles que estiveram cá há 41 anos! E que continuam aqui, através da história, da memória, da nossa liberdade.

E é isto que me fascina... Fascina-me a história. Fascina-me o 25 de Abril. Fascina-me aqueles que tiveram a ousadia de arriscar a mudança. Fascina-me a liberdade.



Marisa

Ps. Este texto foi escrito há quase um ano no meu anterior blog, mas tinha que o partilhar aqui hoje 

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