30 de abril de 2016

Ai essa sentimento tão português

Tinha tantas coisas boas para dizer hoje, tinha sorrisos, tinha mudanças... tinha um dia cheio. Tive um dia cheio, até ao momento em que parei para lanchar, liguei o computador para me distrair um pouco, entre as muitas páginas que abri uma delas foi o Pinterest, onde estava a ver imagens aleatórias e, no meio, apareceu uma daquelas imagens giras de frases. E foi aí, foi aí que percebi que o meu coração, que pensava que estava cheio, afinal estava com uma parte vazia. Aquela parte que estará sempre vazia, por mais que o resto encha. Aquela parte que estará sempre na outra ponta da Europa. Aquela parte que se chama saudade.


I miss you. Tenho saudades tuas. Morro de saudades tuas. Tu és aquela amiga que eu dava tudo para ter aqui nesta fase da minha vida, em particular, e sempre para todo o sempre, em geral. E quantas vezes me apetecia apanhar um avião e ir ter contigo. Não há vez que oiça, ou diga, ou leia o nome do país onde estás que não me lembre de ti. E se fosse só isso que te trás à minha memória... Ai minha princesa, minha porca, minha mp, minha C'... E quantas vezes, também a mim como a ti, me apetece que apanhes um avião e venhas ter comigo. Sim pode ser na melhor gelataria do mundo já que estou sempre a "meter nojo" com as fotos dos crepes e dos gelados que ponho no insta e no face :P E também podemos passar pelo teatro, que tal?! E ainda vamos fazer uma visita à nossa escolinha para matar saudades daquilo tudo e daquela gente toda que já deve estar cheia de saudades nossas também =) E vamos até ao infinito e vamos falar de tudo e mais alguma coisa. E mesmo longe de ti, vou continuar contigo, vais continuar comigo. Um grande abraço, um grande beijo, muitos sorrisos. 

E isto sou eu a ser sincera, a falar com o coração no blog para não te mandar mensagem diretamente para o facebook para não nos pormos a chorar em sintonia com muitos quilómetros e um fuso horário diferente. E isto sou eu a dizer, outra vez, que te adoro!

Marisa

Dream About

Tento a cada dia desapegar-me mais, tirar prazer nas pequenas coisas e não me preocupar com coisas demais. Nem sempre é fácil, mas quando o consigo sabe muito bem... faz-me muito bem. E é assim que tenciono continuar, a apreciar cada dia, cada pequeno pormenor que me faz sorrir, cada sorriso de quem vem por bem, de quem fica por bem e esquecer as coisas negativas. Viver a concentrar-me apenas no essencial para a minha felicidade e harmonia.




Marisa

29 de abril de 2016

Música em mim

Porque hoje é dia mundial da dança, porque eu gosto muito de dança, porque eu adoro esta música, porque eu adoro Os Azeitonas

28 de abril de 2016

"Felizmente há luar!"

Na semana que começou com o feriado do 25 de Abril, oiço, mais uma vez, essa tão grande barbaridade vinda de uma pessoa na cada dos 80 anos que o Salazar nunca devia ter morrido e que o 25 de Abril nunca devia ter existido, e que antes é que era bom, e que antes é havia respeito... Cada vez que alguém diz isto, o Salgueiro de Maia deve dar trinta voltas no caixão, de tão horrível que esta teoria (chamemos-lhe assim) é. MEDO! As pessoas não tinham respeito, tinham MEDO! Respondi, eu. O 25 de Abril foi a melhor coisa que existiu. Continuei na minha luta em vão pela dissertação de como é boa a liberdade.

Mais tarde, vim pegar nos livros para estudar e decidi passar os exercícios da Mensagem à frente (vou deixar os exercicios para depois dos apontamentos que o tempo está a escassear), e ao invés de me aparecer o Memorial do Convento, que eu pensava que vinha a seguir, apareceu o Felizmente há luar!. Mesmo a calhar. Nada melhor para reforçar o valor da Liberdade, do que uma peça escrita no tempo da censura, nas linhas do medo, com um olhar de esperança.


Marisa

26 de abril de 2016

As pessoas conseguem ser muito mesquinhas

Há pessoas que conseguem ser muito mesquinhas. Fingem importarem-se, quando só querem parecer bem perante dos outros e meterem-se na nossa vida. Essas pessoas chateiam-me. Enervam-me, mesmo. Não tenho paciência para os supostos "amigos" que se fingem preocupados quando querem saber mais isto ou aquilo da minha vida, fingem-se as melhores pessoas do mundo quando só precisam de ajuda para isto ou para aquilo, mas depois conseguem esquecer completamente. E quando vêm com a conversa do andas desaparecida ainda irrita mais. Porque é que a outra pessoa que não eles que andam desaparecida. Porque não disse nada nos últimos tempos? Supondo que não falo com a pessoa x há duas semanas, a pessoa x também não fala comigo durante o mesmo tempo, logo, se eu ando desaparecida para a pessoa, também a pessoa anda desaparecida para mim. Pessoalmente não gosto dessa história de andar desaparecido só porque não se fala com quem também não fala connosco. Acho apenas que as pessoas estão em caminhos opostos durante um certo período de tempo e não têm que ser julgadas por isso, desde que não venham depois com falinhas mansas e falsas preocupações connosco, cheias de interesses e infantilidades parvas.

Enfim, foi só um desabafo desta alma sem paciência para estas coisas.

Marisa

25 de abril de 2016

O olhar da Princesa

No post anterior falo da liberdade, do meu fascínio pela história deste feriado, pela bravura dos heróis de Abril. Enquanto estava a pesquisar a imagem para ilustrar o meu texto encontrei uma das imagens mais conhecidas em relação ao 25 de Abril.



A minha Princesa, que estava ao meu lado, ao ver a imagem, disse para eu parar.

Eu já vi esta imagem uma vez, disse. 

Então e o que é que significa esta imagem?, perguntei

Uma menina a por o cravo na arma do guarda...

Porquê?

A dizer obrigada...

Do quê?

Obrigada por eles salvarem a liberdade


E a liberdade é tão simples quanto isto. A liberdade é como uma criança pura. A liberdade é para ser percebida e agradecida desde pequeninos.

Marisa & Princesa

25 de Abril | Liberdade

Peguem nas armas e e nos cravos e vamos fazer uma revolução! Uma revolução séria. Como a de 74. Vamos lutar por nós. Não votemos. Que ninguém vote. Vamos pegar nas armas e nos cravos e vamos fazer a revolução. Vamos gritar Grândola e Depois do Adeus. Vamos ser os novos MFA.

Ou então deixemos-nos estar. Afinal é sempre isso que o povo português faz. Somos o povo do "desenrasca", do "deixa andar", do "mais ou menos", do "vai-se andando" e do "assim, assim". Fazem muitas manifestações e greves que nunca dão em nada, ou então são prejudiciais como esta da TAP. Há uns tempos andaram a cantar "Grândola vila morena" por ruas deste país e o que valeu? Nada!

"Grândola vila morena/ terra da fraternidade/ O povo é quem mais ordena/ Dentro de ti, ó cidade (...) / Em cada esquina há um amigo/ Em cada rosto igualdade". Foi isto que se ouviu naquela madrugada de 25 de Abril de 1974. Era a segunda senha e o MFA estava pronto para avançar, para lutar pela fraternidade, pela igualdade, pela liberdade. Conseguiram. Aqueles homens munidos de armas que mal usaram e de esperança de conseguirem um país livre e justo mandaram a ditadura a baixo e trouxeram de novo a Democracia. 41 anos depois a Democracia é apenas "demo". Algo que assombra o povo que de longe não é quem mais ordena.

"Quis saber quem sou/ O que faço aqui/ Quem me abandonou/ De quem me esqueci". Ouvia-se igualmente na madrugada de 25 de Abril de 1974. Esta foi a primeira senha. Hoje, e "Depois do Adeus" ouço esta canção e o que me vem à cabeça é o seguinte:
 - "Quis saber quem sou" - somos um povo inconformado e incapaz;
 - "O que faço aqui" - vamos tentando sobreviver com as poucas condições que nos dão;
 - "Quem me abandonou" - a democracia, o governo, os ministros, os "donos disto tudo", os que nos roubaram e continuam em liberdade
 - "De quem me esqueci" - de quem esteve lá, de quem o tornou possível, das caras do 25 de Abril.

Bem, na verdade eu não me esqueci deles. Nunca me irei esquecer. Nasci em 93, a um ano e 3 dias das comemorações do 20º aniversário da Revolução dos cravos. Nasci num país já livre, e por ser livre dou valor a quem me concedeu esta felicidade de poder estar aqui neste momento, como em tantos outros, a dizer o que penso. Sou de 93 mas grito "25 de Abril sempre" como se tivesse lá estado, no Largo do Carmo, naquele dia de mudança. E é por isso que me custa ver as notícias e ver que este país se resume a corrupções, tudo à grande para os ministros e cortes na cultura, na educação, acordos ortográficos sem sentido, jovens a emigrar, etc. Podia estar aqui o resto da noite.

Quero um novo 25 de Abril! Quero viver num país onde seja bom de viver! Quero justiça! Quero que ninguém se esqueça daqueles que nos deram a liberdade! Eles lutaram por um país melhor, não vamos esquece-los só porque está difícil e deixar de lutar pelo que acreditamos. Sei que é difícil de acreditar, mas a esperança ninguém nos pode tirar. Vamos lutar! Por nós que estamos cá agora! Por eles que estiveram cá há 41 anos! E que continuam aqui, através da história, da memória, da nossa liberdade.

E é isto que me fascina... Fascina-me a história. Fascina-me o 25 de Abril. Fascina-me aqueles que tiveram a ousadia de arriscar a mudança. Fascina-me a liberdade.



Marisa

Ps. Este texto foi escrito há quase um ano no meu anterior blog, mas tinha que o partilhar aqui hoje 

23 de abril de 2016

Chamar o bom tempo

Esta semana já vesti t-shirts, foi por cima de outra camisola e por dentro de casacos mas soube bem abrir a gaveta das "roupas de verão". Já estava com saudades da leveza destas roupas... Diz que agora as temperaturas vão começar a subir e, hoje deu-me na cabeça e fui lavar as minhas t-shirts quase todas. Isto de ter roupa sensível é muito bonito mas depois tem que se lavá-la à mão para não a estragar é um tanto ou quanto chato. Não que elas tivessem sujas, mas, depois de duas estações fechadas na gaveta, ficam sempre com um pouco de cheiro, e em vez de as pôr só a arejar passei-as por água para ficarem com aquele cheiro bom do detergente. E foi ver o meu estendal cheio de roupa de verão, roupa essa que secou em poucas horas, porque esteve uma tarde de sol e calor mas com um toque de vento, que estamos na zona oeste e aqui há (quase) sempre vento. Pode ser que assim o verão chegue mais depressa e o calor venha mesmo para ficar que já estou a precisar de umas boas doses de sol e de calor para rasgar sorrisos e soltar a leveza de espírito que só o bom tempo me trás.


Marisa

22 de abril de 2016

23



Hoje é o meu dia. Faço 23 anos, faltam 2 para o quarto de século. O meu dia de aniversário não é, nem nunca foi aquele dia super WOW, que eu adoro, que eu anseio, com que eu me entusiasmo muito, mas sabe bem aqueles pequenos mimos de quem se lembra do meu aniversário sozinho e sem a ajuda do facebook, porque são esses que não precisam de ser lembrados que me conhecem bem. Assim como sabe sempre bem, a mousse de chocolate da avó. A mousse de chocolate da avó é aquele doce que tem que estar sempre presente em aniversários e Natal e que todos "os primos" adoram.

Os meus aniversários são passados em família. Quando era pequena era casa cheia, os meus pais, a avó,os primos todos e os tios. Depois fomos diminuindo. Nos últimos anos dos primos só tenho tido o Priminho-Mais-Velho (e a Quase-Prima). Este ano irá ser a mesma coisa. Tenho muita pena que o Priminho-Mais-Novo não esteja presente outra vez, mas é por motivos importantes e sei que ele estará presente com o pensamento. A pensar na mousse que lhe iria saber tão bem e não em mim, claro =)

E que este 23º ano de vida me traga muitas coisinhas boas para mim... Para já ficam as mensagens mais originais que recebi... Um ah que já está outra vez naquela alutra do ano que tenho que te dar os parabéns - não dês, sê original - então não dou. Um PARABÉNS gritado do outro lado da porta da casa de banho quando estava no banho e a Meia-Prima-T veio cá antes de ir para o trabalho, um a minha inspiração não dá para mais seguido da música de parabéns do Batatoon, um gif da minha T-dog a mandar-me os parabéns... esta última ganhou a de mais fofinha =)


Marisa

21 de abril de 2016

Conta-te Poesia

A vida sem poesia não teria sentido
Seria tudo tão básico,
Tão literal,
Tão estático

O sentido está numa metáfora sem sentido
E cheia de significado
Feita de sorrisos, olhares
Longe ou perto
Em todos os lugares

Uma rima ritmada
No ritmo inconstante
Na palavra ausente
Significado presente
Apenas via
A vida expectante
Apenas sentia
Poesia penetrante


Marisa

20 de abril de 2016

Não dava nada pelo dia de ontem

Na segunda tive que trabalhar mais horas do que o suposto, não me custou muito na hora, só quando cheguei a casa é que me senti cansada. A noite de segunda é uma nuvem, estava cheia de sono, sei o que fiz, mas não sei como o fiz. Inclusive, sei que estive boa parte do jogo do Benfica a olhar para o computador, mas só retive o último remate do Vitória e defesa do Ederson, tudo o que se passou antes, durante o jogo todo, foi como se não tivesse visto. Ontem acordei com umas dores de cabeça horríveis, estava mesmo sem força, previa-se um daqueles dias lastimáveis, nada produtivos, e tristes. Cheguei ao final da manhã em stress sem motivos, sabia que se ficasse em casa as probabilidades de entrar em ansiedade eram enormes, por isso tentei ignorar a dor de cabeça, esqueci que o tempo estava ventoso e com ar de chuva, peguei na mala, pus lá o meu caderno de criações, um livro, tudo o resto essencial (muita tralha, em resumo), o estojo e mais uma data de coisas que preciso de estudar, apanhei o autocarro e fui passar a tarde com os priminhos. Lá passei mais uma tarde como tantas outras no sítio do costume, com as pessoas do costume. As dores de cabeça não desapareçam completamente, mas melhoraram e o bom humor conseguiu instalar-se. E ainda consegui organizar uns apontamentos e estudar um bocado, o que é sempre positivo.

Marisa

19 de abril de 2016

Diabinhos vs Consciência

Comecei a pensar neste post com dois mini seres nos meus ombros como aparece nos desenhos animados, só que ao invés de ser um anjo e um diabo eram dois diabinhos... mas apercebi-me que não podem ser só dois têm que ser quatro, sendo que dois deles é como se fossem um só.

Tenho o diabinho A que me sussurra ao ouvido "vamos ver o Lot... vamos ver o Lot e comentar aquilo", que é como quem diz, vamos ver um reality show parvo como se não houvesse nada mais interessante na vida. Tenho o diabinho F que me aparece em balão de pensamento a dizer "Tens de ver o 22.11.1963!!! É brutal!!! Vais adorar!!!" tudo com muitos pontos de exclamação que o moço tende a ser exagerado nestas coisas de séries e filmes e música (e vida) e a na verdade, a avaliar pelos dois primeiros episódios, a série merece todos os pontos de exclamação. E ainda tenho o diabinho R/MI que me falam ao estômago e ao coração ao dizer "vem comer um geladinho e um crepe ou outra coisa doce qualquer, não te esqueças da nutella e do chantily e umas boas doses de disparates e risos" que é como quem diz para largar tudo e ir ter com o primo e quase-prima.

No meio disto tudo fica a consciência que sabe que tenho que estudar, porque se não passar nos exames deste ano posso esquecer o meu sonho e entre trabalho e diabinhos tenho que me concentrar nos estudos, porque apesar de de todas as disciplinas que poderia fazer exame o Português, para mim, é a mais fácil de todas, mas isso não faz com que a gramática esteja perdida num passado mais que distante, o Álvaro de Campos seja um esquizofrénico do pior, o Camões nunca deveria ter escrito Os Lusídas e o Felizmente ao Luar ser uma memória muito embaciada. E no meio disto tudo consigui ver a gala do Lot e comentá-la com o A, consigo controlar-me e não ver a série que o F recomendou toda de seguida, e ver só uma vez por semana, que é quando dá na FOX, e consigo escapulir-me da santa terrinha e ir ter com os primos encher-me de coisas doces e boa disposição... E consigo coordenar tudo e tentar ser uma moça um tanto ou quanto organizada  no meio de toda a minha desorganização.

Marisa

18 de abril de 2016

Sou uma guita

Por entre as coisa que só eu é que oiço está essa grande conversa que tive há uns dias sobre "manter a linha".

- ...É preciso manter a linha
Eu - Estar em linha sou eu em pessoa ;)
- Qual linha... tu és uma guita!

E quando penso que as piadas para a minha magreza estão a esgotar, vem conversas do género. A prova que o ser humano pode estar sempre a inovar e reinventar-se...

Ai mais não te importas que façam piadas sobre a tua aparência?! Epá não. Já me chateei tanto com isso que agora não me importo, porque agora já gosto de mim assim, apesar de uns 3 ou 4 quilos a mais não se negarem, mas a partir do momento em que a única vez que estive perto do peso "normal" foi à custa de medicação para outros factores e visto que estou "saudável" e não tenho que me preocupar se se comer mais uma bolacha ou um chocolate já vou engordar horrores estou muito bem assim. E se for pessoas que sei estão mesmo a brincar e em quem confio até sou eu que faço as piadas.

Marisa

17 de abril de 2016

Dream about

Liberto-me. Liberto-te. No sufoco de mim, sufoco os outros. No excesso de auto controlo, começo por controlar quem me rodeia sem querer, sem pensar, sem dar conta. Apego-me em demasia. Exijo dos outros o que não tenho em mim. Preciso dos outros porque nego-me concentrar-me em mim. O que preciso mesmo é de mim. De me aceitar, de viver em paz comigo, de sorrir comigo. Saber rir de nós é bom e importante, saber sorrir connosco é fundamental. Então sorrio comigo e de mim. Sorrio sem razão, sorrio porque estou a ter um bom momento, sorrio porque me liberto, sorrio porque libertei os outros. Liberdade. Sorrio a liberdade. Liberdade de ser quem sou, liberdade de estar onde estou, liberdade de ter quem tenho. Nem sempre, nem nunca. Liberdade de consolidar tempo, estar com quem me faz bem, estar comigo. Não querer estar sempre só, não querer estar sempre acompanhada. Não chorar na partida, antes sorrir, ficar agradecida.



Marisa

16 de abril de 2016

Ilusões em prosa

O dia estava cinzento, sentaram-se numa esplanada por pouca vontade dela e muita insistência dele. Um café e uma garrafa de água, por favor. Aquele pedido básico de quem vai para uma esplanada apenas para conversar e não porque lhe apetece muito consumir isto ou aquilo. Aquele pedido básico de quem o que lhe apetece mesmo é desfrutar da companhia e da conversa de quem está sentado na cadeira ao lado, mas que quer fazê-lo num local neutro e movimentado para que os olhares silenciosos não pareçam tão constrangedores.

- Está frio! - diz ela, ainda contrariada por ter ficado no ambiente de vento e frio da esplanada.
- Anda cá que eu aqueço-te... - responde ele.
- Aqueces-me?! Como se fosses capaz de aquecer alguém... - brinca ela.

A conversa flui naturalmente e descontraída, mas na melodia de cada frase há um toque de sedução mútua, um teste aos limites da tensão.

- Eu abraço-te! - continua ele, com um ar mais sedutor e estranhamente sincero do que o normal, enquanto se chega para junto dela e a abraça

Ela estranha aquela ação, mas não quer sequer questioná-la, sabe-lhe bem, deixa-se levar e aconchega-se no seu abraço, abraça-o também e encosta-se à cabeça dele.

- Chateia-me esta tua mania de vir para esplanadas quando está frio... - diz ela para quebrar o silêncio e a tensão.

Sempre a tensão a tomar conta dos momentos mágicos de silêncio.

- Queres que o deixe de fazer por ti? - pergunta sereno
- Não. Não quero que mudes por mim, quero que sejas quem és sem te esqueceres de mim. - sussurra ela.

A conversa prossegue em sussurros, à sua volta as pessoas passam, falam, correm, eles não dão por nada, para eles o mundo parou, deixou de existir mundo para além daquele abraço e sussurro.

- Não esqueço
- Não esqueces mesmo?!
- Eu quero ser quem sou contigo! - diz ele antes de um beijo lento e prolongado.
Ela corresponde, sorri-lhe no final - Também quero ser eu contigo.

Marisa

Almoços de família

É sempre tão bom quando o tio J vem cá almoçar. Há sempre boa disposição, piadas, histórias, brincadeiras, picardias, sorrisos, gargalhadas...

Lembro-me de quando era miúda ver o Neco e o nome da série ser "A minha família é uma animação" - que nome enorme para uma série, por isso é que toda a gente dizia que via o Neco em vez de dizer o nome original da série - pois bem, a minha família é mais uma perturbação. No bom sentido, é claro. Somos (quase) todos umas completas personagens sempre prontas a dizer algum disparate. Aplica-se a velha máxima de "se um diz mata o outro diz esfola" e quando estamos juntos não sei se seremos mais fortes que outros, mas tenho a certeza que juntos seremos mais parvos. Ser parvo como nós é bom, é ser divertido, bem disposto, feliz.

Podemos não ter grandes casas para grandes festas, podemos não ter os serviços de mesa mais requintados e nem tanto mais ou menos as refeições mais elaboradas. E ainda bem. Porque sentamos 8 numa mesa de 5 e se vier mais junta-se mais uma mesa pequena e está feito, mais ou menos apertados cabemos todos, uns copos para uns, outros copos diferentes para outros, a comida não é gourmet mas é da melhor comida portuguesa que se pode ter, qual masterchef...

Aquelas "reuniões" de família nas novelas ou nos filmes são todas muito figurativamente bonitas e perfeitas e muito emocionalmente estáticas e sem graça. As nossas são o inverso e isso faz delas as melhores =)


Marisa

15 de abril de 2016

Dream about

Sim, vou continuar a rir das suas piadas mesmo que não tenham graça pelo simples facto de o adorar.



Marisa

14 de abril de 2016

Boa oportunidade para estar calada

Daquelas coisas que nunca vou medir, nem pensar duas vezes antes de dizer, mas devia fazê-lo é ver três gajos sentados numa mesa e dizer com ar querido e fofo "posso me enfiar aí?!"

- Ou?!
- Não devia ter dito isto assim, pois não?
- Epá não, mas podes na mesma...

Marisa

O Olhar da Princesa

A Princesa passa a vida a cantar, inclusive A única mulher do Anselmo Ralph, num daqueles seus momentos melodramáticos a cantar com toda a alma "e com apenas um abraço me desmooooontaaa", mesmo assim com prolongamento de sílabas, toda poderosa, decidi começar a testá-la, mais uma vez, e perguntei como é que ela o desmontava com um abraço, se ele ficava sem um braço ou uma perna. Perguntas muito estúpidas para uma resposta super inteligente:

Desmontar na canção não isso, é chorar

Oi chorar?! Mas eu pensava que ele gostava dela... Continuei a fazer-me de parva

chorar de alegria

Desmontar é chorar de alegria


Marisa & Princesa

12 de abril de 2016

Problema social

Eu tenho um grande problema social. Um problema pior que ter grande dificuldade em fazer amizades e conhecer pessoas. Um problema que passa por sentir afinidade por pessoas dementes, rapazes em particular. As coisas ficam mais "complicadas" quando eu não me importo minimamente que me digam seja o que for de porco ou perverso e até conseguir dar seguimento aos assuntos menos "dignos", isto quando não sou a própria a iniciá-los.

Na verdade, isto até poderia não ser um problema se eu não fosse um atrativo, ou melhor, alguém que transmite um à vontade com que praticamente todos os rapazes que me são próximos me venham falar de cocó. Eu não preciso de saber as vezes que o fazem, a textura dele, métodos de limpeza e uso de sanitas, e mil e umas teorias sobre o mesmo, seja a nível emocional ou físico.

Eu sei que consigo ser muito devassa e porca e se me dizem mata eu digo esfola, mas também não é preciso abusar, que há mais assuntos interessantes e menos nojentos. Mas não, o assunto tem que ir sempre parar à mesma merda. Literalmente.

E como é que estes assuntos começam? Em público, muitas das vezes. E como é que eles acabam? Com algumas coisas ditas mais alto do que suposto, visões menos simpáticas e muitos risos.



Marisa

Ilusões em prosa

Shiu! Não digas nada, não quero palavras. Fala-me apenas com o olhar, não uses a boca a não ser para me beijar. Beija-me! Quero sentir os teus desejos húmidos. Sim! Começa aí onde estás, nas mãos. As mãos são um óptimo sítio para começar a amar, faz-me lembrar os romances no tempo dos reis onde era proibido, nas cortes, onde tudo era concebido. Ai! Suspiro. O teu respirar provoca-me arrepios. Tremo. Gemo. Geme! Grita! Grita comigo. Amar é gritar a uma só voz, falar com o coração, entrar em fusão, ser eu, seres tu, sermos nós. Juntos. Nós. Sós. Esquecer o que está lá fora, olhar o que está cá dentro. Viver dentro, mexer dentro, sentir dentro. O que conta é o interior. O exterior também, se for o meu, o teu, ou nosso. Dentro de mim. Fora de ti. Em nós. Nunca estaremos sós.
Nas cortes do mundo exterior, onde é tudo é proibido, temos os nossos aposentos restritos onde só o amor é permitido, onde tudo é concebido, onde tudo é concedido. Concede-me mais um beijo, mais um grito, mais um suspiro, mais de ti, mais de mim, mais de nós, mais amor.

Marisa

10 de abril de 2016

Conta-te poesia

Em mil histórias me perco
Na tua história me encontro
Vem escrever comigo um conto
Daqueles em que se canta e dança
E se grita e se acredita

Quero um conto sem ponto final
Cheio de reticências
Que nos levem ao infinito

Talvez um ou outro ponto de exclamação
Dar um toque sentimental
Que também fica bonito
E um pouco sentimental


Marisa

9 de abril de 2016

O olhar da Princesa

A Princesa tem opinião e resposta sobre e para tudo e uma imaginação do outro mundo. Ela gostava de ser youtuber, mas eu vou torná-la blogger e criar uma rubrica intitulada"O olhar da Princesa" com as coisas que ela diz.

Hoje deixo uma discrição da nossa terra feita por ela...

A minha terra é brincalhona, e colorida, e tem mar, e tem chuva mas não tem tubarões.


Marisa & Princesa

Conta-te poesia



Do outro lado da estrada
Do outro lado do mundo
Tenho-te sempre a meu lado
Por uma vida atribulada
Por um infinito segundo

Dá-me a tua mão
Dou-te o meu coração
Tu sorris
Eu sorrio
Vem ser a minha luz
Eu serei o teu brilho

Marisa

8 de abril de 2016

Onde estás segurança!?

Vou de autocarro para a cidade porque acho que é mais seguro do que ir no meu carro, porque ainda tenho pouca experiência a conduzir e, de repente, o motorista do autocarro conheça a falar ao telemóvel sem kit mãos livres, ou seja, ia conduzir um autocarro só com uma mão enquanto a outra segurava o telemóvel. Isto durante cinco minutos, com curvas, descidas acentuadas e uma rotunda grande e deficiente onde temi pela minha integridade física.
Ainda por cima era uma chamada pessoal onde se queixava de estar a trabalhar desde de madrugada. Profissionalidade e segurança acima de tudo.

6 de abril de 2016

Leituras à beira mar

Foto da minha autoria
Hoje esteve sol. Ah o sol! O sol que teimava em andar meio desaparecido decidiu dar um ar de sua graça. Infelizmente, ainda não foi hoje que deixou o seu tão chegado amigo vento noutro lugar, como costumo dizer, é o preço a pagar por viver nas lindas e calmas praias do Oeste, apesar disso não foi o vento que me impediu de ir ter com o meu companheiro de alegrias e tristezas e todas as emoções, o mar. 

Já era quase dez horas, por isso em vez de fazer a minha habitual caminhada, peguei num livro e fui diretamente para a beira-mar, sentei-me num banco e estive ali um bom bocado, praticamente sozinha, a ouvir o mar e a ler. Até o livro acabar. Para a próxima levo um maior que o Gatsby já estava no fim e nem me lembrei disso. 

Esta paz soube tão bem. Apenas eu, o sol, o mar e as palavras. E o vento a irritar um bocadito, mas não pode ter tudo prefeito. Foi um momento muito tranquilo e bem passado, deu para relaxar e respirar, tranquilizar. Devia repetir mais vezes, afinal tenho o mar aqui tão perto e quando o vou visitar devia levar um livro mais vezes.


Marisa


Conta-te poesia


Tem a folha vazia

Que o está a mirar
Grita-lhe sem falar

Abre o coração
Quando pega na caneta
Solta a emoção
Tem as palavras na mão
Mais que um humano,
É poeta


Marisa


3 de abril de 2016

Conta-te Poesia

Vejo tudo certo
No teu incerto
A tua imperfeição
Torna real a perfeição
Escrevo de coração
Sorrio sem jeito
Ideias vagas de quem sente
Lê no olhar, ele não mente

Marisa

2 de abril de 2016

Dream about

foto da minha autoria




O sol não deixa de existir nos dias nublados, apenas se esconde, brilha num outro lugar. Volta a aparecer quando as nuvens partirem. A sua luz não se apaga. Não deixa de brilhar. Mantém-se a anos luz das nuvens que o querem ocultar.

É imponente! Sobrevive. Vive!

Marisa





1 de abril de 2016

Sensibilidade masculina

A sensibilidade masculina, ou falta dela, pode ser a pior coisa do mundo, por outro lado até pode ser bem agradável, depende do ponto de vista. E do nível de humor. E de não nos importarmos em ouvir merda, e figurativa ou literalmente.

Veste algo fora do normal uma gaja reage com "ai roupa nova, onde é que compraste, fica-te tão bem (mesmo que pensem o contrário), tenho uma coisa dessa cor, está na moda..." beca beca e não se calam, um gajo nem repara, e se o fizer é para fazer uma piada que eles acham que irá ser a melhor de todas como "com essa roupa não precisas de colete reflector". Sim, já ouvi e não tinha nada de florescente ou extremamente extravagante.

Cortas só as pontinhas do cabelo, encontras uma amiga e ela começa com o mega discurso "foste cortar o cabelo?! uau (mais uma vez mesmo que estejamos horríveis), estás muito melhor assim, dá-te um ar mais isto e aquilo, foste a que cabeleireiro, gostaste do sítio e de quem te atendeu, e do preço" e chega só tinha a franja a tapar-me os olhos não é preciso tanto. Um gajo, novamente, não repara e se reparar ou dissermos "fui ao cabeleireiro" irão fazer um comentário super elaborado como "ok".

Dizes que tiveste saudades durante o tempo que uma pessoa esteve fora e se for uma gaja irá dizer que também teve muitas saudades e contar tudo o que aconteceu, se for um gajo irá dizer "foi brutal, nem tive que te aturar". Não exactamente assim mas já tive conversas do género.

Estás com problemas com uma pessoa e uma fêmea irá dar-te X conselhos de psicóloga, Y que aprendeu com o reiky e N como se fosse um mestre budista, enquanto um bom macho dirá "manda-a para o c*@&#*" ou "caga nisso". Já ouvi os dois conselhos também.


Estás com dores de barriga, e uma boa mulher irá fazer um diagnóstico completo do que tens, receitar-te três tipos de comprimidos e mais meia dúzia de receitas caseiras, como se todas não soubéssemos que NÃO VAI PASSAR COM NADA, mas não vale a pena discutir com as "amigas sô dotoras da vida". Já um verdadeiro macho, não vai querer saber mais nada nem perceber o porquê de não conseguires sequer andar e vai dizer "vai cagar que passa". Sim, também já mo disseram.

Andas com uma mala XL com a casa toda lá dentro e toda a boa amiga diz em como a tua mala é espectacular e quão jeito dá uma mala grande e começa-se toda uma discussão sobre as três mil coisas que não podem faltar na mala de uma mulher, quando o um rapaz estará sempre pronto para dizer "porque é que trazes uma mala de viagem" ou "para que é que queres tanta tralha". Uns fofos. Este é o ponto em que não concordo nada com eles, apesar de saber que têm uma certa razão.

Por outro lado, há sempre quem consiga dizer as maiores barbaridades do mundo e ter ou parecer ter sensibilidade a nível zero e depois ser uma espécie de anjo da guarda, capaz de pôr um sorriso no meio de lágrimas, sem grandes gestos ou discursos, apenas com naturalidade.


Marisa

Ps. Post exagerado. Tudo é relativo, nada é exacto, mas apeteceu-me brincar.