23 de março de 2016

Avô

Se há coisa que me entristece é nunca ter conhecido o meu avô materno. De tudo o que me contam, de tudo o que li que ele escreveu, tenho a ideia de que o meu avô era uma pessoa muito especial. Tenho a certeza que seria aquele avô que me ia contar imensas histórias e muita paciência para ouvir as minhas, com quem trocaria inúmeras piadas e que me iria roubar sempre um sorriso. Infelizmente ele partiu cerca de dois anos antes de eu nascer.

Na falta do meu avô materno, tenho o meu Primo ZL. O Primo, como o trato com todo o respeito e carinho, é primo direito da minha mãe mas tem idade para ser meu avô. Coisas giras da minha família é que há uma grande disparidade de idades entre primos e sobrinhos e tios e primos em segundo e terceiro grau, é assim uma grande loucura feliz. O Primo é aquela pessoa para qual olho como se fosse meu avô, que tem sempre histórias para contar, que nos faz ficar parados e quietos a olhar e ouvi-lo. Ouvir não, escutar, escutar com muita atenção, cada palavra, cada pormenor, tudo. Tudo sempre com um sorriso de orelha a orelha e uma gargalhada palavra sim, palavra não. O Primo é alguém que como lhe disse há pouco, devia vir jantar cá a casa, pelo menos, uma vez por semana só para nos contar as suas histórias e nos fazer sorrir e passar um bom serão na melhor companhia do mundo, a de quem amamos.

Não consigo explicar bem o significado do Primo para mim. Quando as pessoas são mesmo importantes nunca se consegue explicar exactamente o porquê, porque por mais que se esforçe ou diga parece que há sempre algo que fica por dizer e nunca por sentir.

Posto isto, sei que, apesar de nunca ter tido um avô materno de verdade, tenho o Primo.

Marisa


2 comentários:

  1. Nunca conheci o meu avô paterno, por isso percebo-te perfeitamente. A falta que ele fez e faz na minha família é gigante. E que pessoa incrível ele era!

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    1. Ponho-me muitas vezes a pensar em como tudo seria diferente se ele estivesse cá

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