19 de fevereiro de 2016

Olhares diferentes

Do outro lado do palco por onde passava todos os dias do meu mês de estágio no TeatroCine de Torres Vedras há quase 6 anos atrás existe uma bonita plateia. Sentei-me lá duas vezes na altura do estágio. Uma nos camarotes para ver metade do concerto de Foge, foge bandido, banda de Manuel Cruz, e outra para ver um peça para bebés. Ambas as vezes aconteceram porque precisava de fazer horas extras para completar as horas mínimas do estágio. Ambas as vezes foram muito enriquecedoras. 

Desde então que não tinha voltado ao meu querido teatro. Aliás, voltei em Dezembro passado com o intuito de ver um espectáculo de dança de uma escola de dança de Torres Vedras, mas, infelizmente, fiquei à porta porque os bilhetes já tinham esgotado, com muita pena minha.

Ontem voltei outra vez. Entrei com um olhar diferente. Já não era o meu sítio de estágio, a menina da bilheteira já não era a mesma de quando eu lá estava (o que faz todo o sentido), não vi a minha orientadora de estágio, nem a G, nem o resto do pessoal do teatro que estava lá há seis anos e que tenho a ideia que ainda lá estão, não entrei por uma das portas laterais nem pisei o palco, entrei pela porta principal e sentei-me na plateia. Fui a uma iniciativa que existe já desde a altura do meu estágio, só que está um pouco diferente. 

Desde a altura que tenho curiosidade em ir a esta iniciativa. Café com filmes. Noites de cinema alternativo. Uma parceria entre o TeatroCine e o Académico de Torres Vedras (ATV). Já tinha ido a uma noite de cinema alternativa do ATV no Verão, mas foi em Santa Cruz, numa parceria com a Transforma, outra instituição cultural de Torres. Agora ir a uma noite de cinema no teatro tem um gosto especial. Há seis anos conheci o TeatroCine e o ATV e os Café com Filmes por causa do meu estágio e da C' que esteve comigo, e por causa do R' e V' que eram da minha turma e estagiaram no ATV. Nos dias de hoje uma das minhas amigas de infância trabalha nessa instituição. Não foi com ela que fui ontem ver o filme, foi com a irmã, mas continua a estar tudo interligado e isso tem a sua piada e significado. 

Concentrando-me no Café com Filmes. O Café com Filmes é uma iniciativa do ATV em parceria com o TeatroCine, como já disse. É um bom programa de quinta-feira à noite, começa cedo e não acaba muito tarde e isso é bom para quem tem que acordar cedo; porque se tem a oportunidade de ver um filme mais alternativa do que os que passam na televisão ou no cinema num ambiente diferente das salas de cinema. Eu sei que sou suspeita, mas o teatro de Torres é muito bonito. A noite começa na entrada do TeatroCine, onde é feita uma pequena introdução ao filme e ao autor, depois passa-se para a sala de espectáculos onde se realiza a visualização do mesmo. Ambos os sítios são bastante acolhedores. A entrada é pequena, por isso, mesmo com poucos espectadores fica cheia facilmente. Tem uma escada larga e curva que dá um ar rústico e uma parede forrada com fotografias e palavras de artistas portugueses em tons de preto e branco, um misto de vintage e moderno minimalista. A sala de espectáculos já tem um ar mais moderno... tem 450 lugares entre a plateia principal, camarotes e a plateia de cima, os bancos são de madeira clara e almofadados em tons de vermelho o que dá um quente e de aconchego. Em relação aos filmes, são todos especiais e com uma boa história por trás. 

O filme de ontem foi o Táxi do iraniano Jafar Pahani. Jafar Pahani está proibido de filmar durante 20 anos. Este filme foi a terceira vez que quebrou as regras. Instalou câmaras ocultas num táxi que conduziu pela cidade de Teerã enquanto filmava as conversas das e com as pessoas que ia apanhando, com o objectivo de mostrar a actualidade do seu país. 

Marisa

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