7 de dezembro de 2015

Caminhos meus

Até chegar ao ideal há um longo caminho. Qual o caminho? Não sei. Nem sei qual é o ideal. Interrogações. A minha vida é um aglomerado de interrogações e escassas explicações. Não sei o que futuro me reserva. Nem sei o que irei fazer amanhã. Tu sabes? Tens certezas? Ter 100% de certezas deve ser bom, mas não perfeito. A surpresa também tem o seu quê de magia. O chamado suspense. Um livro ou um filme sem suspense não é nada, não prende, é monótono, desmotiva. Por outro lado, sabe sempre bem ter algumas certezas, apesar de nada ser certo. Podemos chamar-lhes seguranças... Sim. É bom ter algumas seguranças, algo ou alguém a que se possa agarrar e confiar.

Tenho medo da falta dessas seguranças. Também tenho medo da monotonia. Tenho medo de tanta coisa... O meu medo caminha lado a lado com as minhas interrogações. Pergunto-me se terei segurança para dar um passo em frente e fico com medo de dar esse passo. Perguntou-me se serei feliz se continuar como estou e fico com medo de não o ser. Pergunto-me sobre tanto, penso tanto, encho a minha cabeça com ses e fico com medo da maioria das respostas.

Terei medo de pensar? Terei medo de sentir? Terei medo de não ter medo? Tenho medo do meu medo! Ele paralisa-me, deixa-me estática e sem conseguir pensar, mesmo com a cabeça cheia de pensamentos. Sou a anti-metafísica de Alberto Caeiro que pensa mais do que admite e sente mais do pensa. Tenho medo de sentir como Ricardo Reis e no entanto sinto tanto. Penso tanto. Pensar dói-me, como doía a Álvaro de Campos.

Neste momento há coisas na minha vida que se parecem encaminhar, mas por outro lado continua tudo tão confuso, tão vago, tão parado. Estou farta de estar parada e não ter forças para me mexer, para sair, para viver.

Sei que, pelo menos a curto prazo, foi bom ter agarrado uma oportunidade de trabalho à porta de casa. Por outro lado apetece-me tanto sair daqui... Um dia chegará o dia. Concentrarei todas as minhas forças, todas as minhas vontades e vou partir. Vou seguir o meu caminho. Já estou a seguir o meu caminho. Cada palavra, cada passo, cada escolha, cada gesto que faço são o meu caminho. Percorro-o todos os dias sem saber por onde irei passar a seguir. Espero que esse dia não tarde. Espero ter paisagens bonitas e encontrar gente boa neste caminho, assim como espero conseguir ter força para me levantar e seguir caminho quando a estrada for mais atribulada, com buracos e ventos que soprem contra mim. Os ventos nem sempre sopram para onde queremos, mas sou de um país e de uma aldeia de marinheiros e saberei guiar o meu barco para seguir o melhor caminho e ultrapassar as maiores tempestades para chegar a bons portos.



Marisa Maria

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