23 de novembro de 2015

Conta-te Poesia

Podia dizer muita coisa
Encher-me de palavras cheias
De metáforas e sentidos
E filosofias e perigos

Não sou Santo António
Com o seu sermão
E não falo com nenhum peixe
Prefiro um cão

Como um labrador carinhoso
Como um belga malinois bondoso
Solitário como a cadela sem raça
Que perdeu o seu velho e bom companheiro.

Acidentes de percurso.
Leis da vida.

Lei da minha vida
Estar cheia de palavras
E nenhuma conseguir exteriorizar

Ficam a remoer cá dentro
Enquanto por fora fala um olhar
Que não se vê ou não se quer ver,
Não sei.

Há coisas que nunca chegaremos a saber
Pelo menos ao certo
Que na vida temos sempre a garantia
De um ou outro incerto

Sei que o meu destino é ao certo
Vaguear num amor
Que não me pertence
Por entre a saudade da distância
E um olhar quando o tenho perto

E ai de quem pense
Que isto passa sem voltar,
Este é o sentimento
Que veio para ficar
Doa o que doer
Faça rir ou sofrer
Amar



Marisa Maria

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