29 de novembro de 2015

Primos will be Primos

Está quase a fazer seis anos que somos oito e nunca estivemos os oito todos juntos. A princesa nasceu bem depois dos tempos dos muitos almoços e jantares de família e dos Natais, Páscoas e Passagens de anos em família. Quando a princesa a família estava um bocado para o muito afastada. O seu nascimento veio, como uma bênção, reaproximar a família, mas em oito somos seis com mais de 20 anos e já temos as nossas vidas, para além da família. Há o morar fora da casa dos pais, os namorados(as), a faculdade, os trabalhos, os amigos... muitos factores que são difíceis de consolidar.

Este fim-de-semana a avó fez anos. Por norma só eu e a prima L é que nos lembramos da data. Mas este ano foi diferente. Quando tive de férias com a prima M comentei que a avó estava quase a fazer anos e, como calhava ao Sábado, a M disse que era um bom dia para tentarmos juntar os primos todos. Não conseguimos. Só conseguimos juntarmos-nos sete. O R trabalha ao Sábado e só conseguiu visitar a avó de manhã, enquanto o resto dos primos vieram à tarde. Mas conseguimos mais do que imaginei conseguir. A prima L veio mas isso já é normal ela vir cá a casa aos fins-de-semana, a prima M também vem cá de vez em quando, o quase que primo M (namorado da M) nem sempre consegue vir cá porque nem sempre tem folga ao fim-de-semana, o primo M não teve nenhum exame e conseguiu vir à terrinha e arranjar umas horas para se juntar a nós, a prima J também não foi trabalhar e pôde marcar presença. A nós juntaram-se os nossos pais. Só não veio o tio Z. Mas os filhos da avó estiveram os três, é o que importa.

Foi casa cheia a tarde toda. Houve piadas e conversas boas. Houve fotografias, muitas fotografias de quando éramos pequenos, de quando éramos só seis, e de quando já éramos sete. O que nos divertimos com aquelas pérolas dos anos 90. A Princesa, que faz o que quer de nós, pôs-nos a jogar à rabia (não sei se conhecem o termo... são três pessoas e uma bola, duas a mandar a boa uma para a outra e a terceira pessoa no meio a tentar roubar a bola) no meio da sala, mas a sala é pequena e, fora a Princesa, somos todos grandes, era ver-nos a jogar de joelhos ou sentados e a rir que nem uns perdidos. Houve uma mesa da cozinha aberta e cheia de chávenas e pratos. Houve o tradicional cafézinho da avó e o pão caseiro com manteiga como quando éramos miúdos e nos juntávamos cá em casa depois da escola e aos Domingos depois da Missa. Houve pão-de-ló e velas. Acho que a avó nunca tinha tido velas, ela diz sempre que não gosta de fazer anos e nunca fazemos festas muito grandes... mas 80 não se faz todos os dias. Houve sorrisos. Houve união. Houve família.



Marisa Maria

23 de novembro de 2015

Conta-te Poesia

Podia dizer muita coisa
Encher-me de palavras cheias
De metáforas e sentidos
E filosofias e perigos

Não sou Santo António
Com o seu sermão
E não falo com nenhum peixe
Prefiro um cão

Como um labrador carinhoso
Como um belga malinois bondoso
Solitário como a cadela sem raça
Que perdeu o seu velho e bom companheiro.

Acidentes de percurso.
Leis da vida.

Lei da minha vida
Estar cheia de palavras
E nenhuma conseguir exteriorizar

Ficam a remoer cá dentro
Enquanto por fora fala um olhar
Que não se vê ou não se quer ver,
Não sei.

Há coisas que nunca chegaremos a saber
Pelo menos ao certo
Que na vida temos sempre a garantia
De um ou outro incerto

Sei que o meu destino é ao certo
Vaguear num amor
Que não me pertence
Por entre a saudade da distância
E um olhar quando o tenho perto

E ai de quem pense
Que isto passa sem voltar,
Este é o sentimento
Que veio para ficar
Doa o que doer
Faça rir ou sofrer
Amar



Marisa Maria

20 de novembro de 2015

Self Five

Aquele momento em que percebo que voltou a dar o How I meet your mother. E desde a primeira temporada na Fox com.



Marisa Maria

14 de novembro de 2015

Turn off

Sabem o que é que sabia mesmo, mesmo bem?! Uma semana sem ouvir falar de política, refugiados, atentados internacionais, religiões, pessoas que mataram familiares ou vizinhos, violência doméstica, toda e mais alguma comida que faz mal e pode provocar cancro... Uma semana só com noticias positivas. Uma semana de paz. Uma semana desligada. Outra semana de férias.

Parece que não pode ser por isso vou ali pegar n'O Confessor de Daniel Silva que me está a chamar da mesinha de cabeceira e vou desligar-me das guerras do mundo real para me perder nas guerras e conspirações do mundo ficcional. Pelo menos essas não são tão repetitivas e frustrantes como as do mundo real em que estamos, estas servem para distrair e não para destruir.

E depois vou dormir que estou cansada de tantos "humanos sem humanidades" e outras tantas palavras iguais, estou cansada da rotina que e segue e da sina de um mundo sem sentimentos, onde abundam guerras por religiões que deviam ditar a paz, de culpabilizações sem nexo e desculpas esfarrapadas.



13 de novembro de 2015

Nível de Cumplicidade

Depois de um "no geral está tudo bem", receber uma mensagem apenas com a palavra "psicologicamente".

Marisa Maria


11 de novembro de 2015

Conta-te poesia

Um momento a cair
Um momento a sorrir
Um momento a saltar
Um momento a chorar

A vida é feita de momentos
Não de minutos ou horas,
Não de dias ou semanas

Apenas de momentos
Em que perdemos a noção dos tempos

Um abraço que apraz
Amigos à conversa
Uma piada privada
Um olhar para trás
Um chegar à frente
Uma palavra inesperada
Um silêncio de repente

Momentos da vida
Despertam os sentidos
Apertam os iludidos

Momentos para guardar
Momentos para abraçar


Marisa Maria

10 de novembro de 2015

A felicidade pelos olhos de uma menina de 5 anos

Princesa queixa-se - A mana anda sempre depressa.

Eu brinco - E tu andas sempre a saltitar...

Princesa deixa todos sem resposta (again and again) - Porque eu sou feliz quando saltito!!!


Porque a felicidade está mesmo nas pequenas coisas, e se algum de vocês é feliz a saltitar, então que não se iniba e saltite.

Marisa Maria


Ter uma irmã mais nova é...

Identificar-me com publicações de pais nas redes sociais. Giro é quando se trata de uma publicação do António Raminhos...



Isto para dizer que ter uma irmã mais nova é não ter sossego nem quando se está na casa-de-banho.


Marisa Maria

8 de novembro de 2015

Os jogos que me fazem viajar no tempo

Domingo 11 de Novembro de 2007, pelas 18 horas, no Estádio da Luz, Benfica vs Boavista. Foi há 8 anos menos 3 dias e lembro-me desse dia como se tivesse sido ontem. Foi dos jogos que mais me marcaram e sempre que se fala em ver jogos na Catedral ou em jogos Benfica vs Boavista, o jogo de 11 de Novembro de 2007 vem-me sempre à memória.

Tinha 14 anos e já tinha estado uma vez no Estádio do Luz, mas apenas para almoçar e visitar a mega store onde comprei um ursinho porta-chaves, o meu Glorioso, e um porta-canetas com uma boneca, a minha vitória. Naquele glorioso dia fui pela primeira vez um jogo do meu Benfica à Catedral com o meu pai. Eu não tinha cachecol por isso o meu pai deu-me o dele, que era praticamente novo. Diz "SLB Sempre Glorioso" e é o cachecol mais lindo do mundo. De cachecol ao pescoço e de mão dada ao pai, que a menina da terrinha não estava habituada a tanta gente junta e estava até um bocado assustada com aquilo tudo, lá fiz a travessia do Colombo para a Luz. Comprámos os bilhetes lá, ficámos na bancada Coca-cola por trás da baliza porque era mais barato, mas não fomos muito para cima (o pai não foi assim tão forreta :P) e deu para ver o jogo decentemente. Encontrámos uns senhores da nossa zona fora do estádio. Já lá dentro tinha o meu pai de um lado e do outro a cadeira estava vazia. Fiquei contente por isso porque, como já tinha dito, era nova naquelas andanças e a multidão assustava. Vi a águia a voar pela primeira vez. O momento do hino e da águia serão sempre mágicos.  O Benfica marcou um golo na primeira parte e foi na baliza à frente da bancada onde estava. Na segunda parte marcámos mais 5 e o Boavista 1. O estádio estava bem composto. Gritei muito e dei um soco ao meu pai a festejar um dos golos.  Vi o meu Glorioso ganhar 6-1 na primeira vez que fui à Catedral! Não podia ter tido uma melhor estreia.

Era o Benfica do Luisão, do Leo, do Moreira, do Quim, do Maxi, do Binya, do Di Maria, do David Luis, do Cardoso, do Mantorras, do Coentrão, do Nelson, do Nuno Gomes, do Petit (que hoje estava "do outro lado") e do Maesto Rui Costa. Ainda hoje, trago estes todos no meu coração. O Luisão, o meu eterno Capitão. O Leo, achava-o um grande defesa.  O Moreiro e o Quim, eram os meus guarda-redes de eleição, qual Peter Che, indignava-me que eles jogassem pouco na selecção. O Maxi foi enorme durante todos os anos que esteve no Benfica, não escondo a mágoa e o gosto a traição quando foi agora para o Porto, mas também sou incapaz de lhe tirar o mérito que ele teve enquanto jogou de águia ao peito. Di Maria, David Luis, Coentrão, Nelson... todos eles excelentes. Do Binya lembro-me particularmente daqueles lançamentos de linha lateral em que ele punha a bola quase na pequena área. Costumava dizer que era um canto marcado com as mãos. O Nuno Gomes é daqueles nomes que faz parte da história do clube, havia quem não gostasse muito dele, eu nunca percebi o porquê, na verdade ele não era um excelente marcador mas foi ele que deu origem a muitos golos e muitas vitórias. O Marorras era o gajo que entrava no final do jogo, estava 15 ou 20 minutos em campo e dava tudo, tinha uma garra enorme e resolveu e ajudou a resolver uns quantos jogos. O Petit era outro jogador muito bom, "Petit 6", tenho uma bola autografada por ele, que foi o meu pai que ma ofereceu. Confesso que fico contente quando o Boavista ganha só pelo Petit. Por fim o Rui Costa, não tenho muito a dizer sobre ele, dos melhores que passou pelo Benfica e uma bênção ainda estar no clube...  o Maestro, não precisa de mais palavras.

Hoje ganhámos 2-0. Dessa altura mantém-se apenas o Luisão. Ai Maxi, Maxi que também podias estar cá, e tão bem.... O Petit marcou presença no banco da equipa adversária, mas seja como for, será sempre bem-vindo. Adorava ter ido ver este jogo à Luz. Não pude porque tive que trabalhar. Fui vendo o jogo aos bocadinhos no trabalho, mas ainda consegui ver os dois golos.


Marisa Maria

4 de novembro de 2015

Conta-te poesia

Já foste mais do que és
És menos do que já foste
Em palavras devastadas
Não sei o que sou
Tão menos quem és

Nada se sabe
Tudo se pensa
Cada um como cada qual
Nada dura,
Não fica igual

Cada um com sua sentença
Qual é a minha ao certo?
Qual será a tua?
Terei-te algum dia por perto?

Podemos questionar tudo
Nunca teremos respostas de tudo
Sussurro alto
Grito mudo

Escrevo sem saber para quem
Se para mim
Se para ti
Se para ninguém
Ou para um outro alguém



Marisa Maria