29 de agosto de 2015

Conta-te poesia

Aparece
Desaparece
Um vai e vem desenfreado
Parece que adora
Parece que esquece
Incompreensível
Desnorteado

O que pensa?
O que faço?
O que é?
O que não é?
O que foi?
O que nunca será?
Será que fico?
Será que desaparecerá?

Questões e mais questões
Vida feita de interrogações
Diz que o tempo responderá
Que só o futuro dirá

O tempo é relativo
O futuro imperativo



Marisa Maria

28 de agosto de 2015

Baby D

Baby D morava bem pertinho de mim, vinha a minha casa muitas vezes e eu ia à dele também. Há uns meses foi morar para longe com os pais. Esta semana voltou cá pela segunda vez, já não vinha a minha casa há uns três meses, e não se esqueceu de nada... Chegou deu um abracinho bom à sua Maí, a minha princesa, e foi a correr para o quarto dos brinquedos, agarrou no Mac e no Faísca Mcqueen que estava à sua espera como sempre. Lembrava-se da avó (ele chama avó à minha avó), do nome do meu pai e do meu irmão e da minha mãe e do meu (para ele, eu também sou Maí como a minha irmã). Lembrava-se de que chamava "chata, chata, chata" à minha mãe e ficou super feliz quando viu a minha prima J, que tomou conta dele, assim como se lembrava como ela ralhava. Lembrava-se da música das Doidas andam as galinhas que fomos nós que lhe ensinámos.

Baby D já não é bebé. Ainda usa fralda, mas já tem cara de menino, já tem uma mochila e vai para escola, já se equilibra no bicicleta por segundos e depois tem que voltar a pôr os pés do chão. Já sabe distinguir o grande do pequeno e gosta de pousar para as fotos. Ainda continua vaidoso com a roupa e sapatos. Queria dormir com a Maí (a princesa, claro) ou então que ela fosse com ele no carro para casa.

Baby D não é da família, não é sangue do sangue mas é como se fosse. Ai como nós gostamos do "nosso menino"... e as saudades que temos dele...

Marisa Maria

26 de agosto de 2015

Privilégios à beira-mar

Um dia escrevi um poema que começava com "Liberdade é o cheiro da maresia pela manhã", na verdade liberdade não é só o cheiro da maresia pela manhã, é ter o mar a meu lado todo o dia, todos os dias, é poder respirar o ar puro e sentir o bater das ondas no meu coração. O mar não é um fenómeno da natureza, é um amigo.

Sinto-me uma privilegiada por viver a minutos de uma praia linda e calma, onde posso descansar, onde há (poucas) crianças a brincar nas poças, onde há pessoas há pesca, onde se vê barcos locais à pesca, barcos à vela a passar e de vez em quando um outro navio lá ao fundo no horizonte nos vem dizer adeus.

Sinto-me uma privilegiada quando abro a janela de manhã e vejo o mar lá no fundo a sorrir-me e que mesmo nos dias de nevoeiro em que não o consigo ver sei que está lá, e ao fim do dia quando vejo o pôr-do-sol da mesma pequena janela o mundo pára, os problemas desaparecem e a vida sorri, o mar sorri-me.

O mar sorri-me sempre que o visito. Esteja ele calmo e claro, esteja ele escuro e turbulento. Sorri-me sempre e diz "calma, eu estou aqui, estarei sempre" e eu sorrio porque ele me sorri mesmo que mais nada nem ninguém me sorria.

Encontrei este poema que não me lembro quando o escrevi, mas decerto que foi há uns 2 ou 3 anos e o sentimento continua a ser o mesmo



Vivo numa praia deserta
Onde só eu e o mar apenas
Lá paramos

Numa praia cheia de pegadas
De e para todas as direções
Deixados por quem lá passou

Vivo numa praia com o mar
E dela não quero sair,
Nasci do mar
E só a ele me entrego,
Só a ele me confesso

São as suas ondas
Que dançam para trás e para a frente
Que me fazem mover,
É o seu cheiro a maresia
Que me faz respirar

Percorro a praia de uma ponta a outra
Seguindo as várias direções das pegadas
Que a marcaram, jamais apagas
Mas no fim do dia
Paro só e deixo-me encantar
Virada para o horizonte do meu mar
Descubro que é este o meu caminho
É onde me quero perder e encontrar

Sou uma livre dependente
Da maré que o mar me ditar

Por vezes sinto-me presa
Bloqueada de qualquer movimento
Apenas posso voar com o pensamento
Junto das gaivotas libertinas
Quando a maré cheia me encurrala

E outras vezes quando a maré esta vazia
Sou a liberdade encarnada no ser humano,
Canto, danço, corro, salto sem pudor
Tenho um mundo a meus pés
E percorro de lés-a-lés
Desfrutando de todo o seu esplendor

Estou timidamente protegida pelas imensas arrimas
Que me são tão intimas
Pela experiência de as percorrer
Com os seus altos e baixos
Talhas das vivências
Que me assombram,
Que me agasalham

Na malhada serrada
Que separa o areal mar
Caminho na corda bamba
Sem certezas de nada,

Conto apenas com as minhas proezas
Para me manter equilibrada
Nas pedras escorregadias
Que aparecem sem avisar

Elevo-me triunfante
Rainha do meu mundo à beira-mar
Numa rocha alta bem segura
Nesta minha escolha de vida
Que perdura


Esta a minha praia, o que me faz ter orgulho na minha terra, o orgulho da minha terra. E hoje, depois de uma doce tarde de praia, daquelas tardes de praia que me enchem a alma, eu, o mar, a areia e o sol despedimos-nos assim.




Marisa Maria

24 de agosto de 2015

Conta-te poesia

Vagueio na penumbra da noite
Sozinha
Perdida
Vazia

As lágrimas correm pelo rosto
Descontroladas
Fogem do seu posto

Querem esquecer
Quero esquecer

O vento sopra contra mim
O vento sopra sempre contra mim

Está frio
O meu corpo treme
E a minha alma vacila
Perco a força

Força
Que palavra essa, força
Toda a gente diz "força"
Ninguém dá verdadeiramente força

Fracasso
A minha vida é feita de quedas
E falta a força para me levantar

Fracassar
Eufemismo do medo
Que me impede de lutar

Coração derrotado
Rosto fechado
Sorriso perdido



Marisa Maria

15 de agosto de 2015

"Somos Tara Perdida"

Foi por volta dos oito anos que comecei a ouvir Tara Perdida, ao princípio meio obrigada, mas não demorou muito tempo a passar a gostar daquela sonoridade diferente do que estava habituada. Rapidamente decorei a Feia, e nunca mais a esqueci, foi a minha primeira música preferida deles. Da épica Batata Frita nem se fala, canto isso do nada desde essa altura. Confesso que não sou a maior fã da banda. Gosto do género, é uma daquelas que oiço "desde sempre" assim como os Xutos ou os Peste&Sida. Conheço melhor as músicas mais antigas do que as recentes e continuo a saber de cor apenas a Feia e a Batata Frita, as outras só consigo cantar acompanhada pela música.

Tara Perdida era uma das bandas que estava na minha lista de "concertos de sonho". Sim tenho uma lista de concertos de sonho... um dia destes posto-a. Há um ano e pouco, quando o Ribas morreu depois do choque, pensei que teria de tomar o concerto dos Tara por inalcançável, depois veio o Tiago Afonso e a esperança voltou, apesar do Ribas ser o Ribas.

Há uns dois meses soube que os Tara iriam actuar bem perto de mim e fiquei logo cheia de vontade e motivação para ir. O concerto foi ontem (ou hoje porque foi há uma da manhã*-*) e eu estive lá. Não fui com os meus primos, os meus impulsionadores de Tara Perdida e boa música em geral, fui com um amigo à altura. Foi um excelente concerto! Que se lixem os banhos de cerveja, os moches, o pó na boca, a pisadela... O concerto foi mais do que bom... foi... sem palavras... apenas WOW! Pena ter sido pouco tempo, mas valeu o bilhete, os stresses antes, o cansaço, a hora tardia, valeu tudo porque eles deram tudo.



Marisa Marisa

1 de agosto de 2015

Só não te esgano porque te amo

Sempre serás a minha porca, a minha MP, a minha gaja, a minha tonta, a minha C...inha. A ti te odiei, a ti te adorei, por ti chorei, a ti sempre amarei. Posso dizer isto apenas a três pessoas, cada uma terá um significado diferentemente, mas a base e os timmings são os mesmos, e tu és uma delas, com sabes. Não é a ti que conto os meus segredos mais profundos, raramente falamos, aliás. À culpa é do roaming, que treta de união europeia é esta que nos faz pagar balbúrdias por uma mensagem para quem vive noutro país da mesma, é de ainda não teres internet aí pelas terras das laranjas mecânicas. Mas quando chega altura de pensar nos amigos verdadeiros tu estás sempre presente na lista. Tu és mais importante do que muita gente que quer parecer presente.

Estiveste cá duas semanas e só foste capaz de mo dizer ontem, a horas de voltares a partir. Só não te chamei mais nomes porque estava com a family ao pé quando me ligaste. Disseste que não tinhas tido tempo para tudo é que tentaste fazer-me uma surpresa que saiu em vão. Falamos até ao saldo do telemovel de que me ligaste acabar e depois liguei eu e falámos mais uma m bom bocado. Não sei o tempo mas foi à vontade mais de meia hora. Soube tão bem. As saudades bateram ainda mais forte por isso, mas soube tão bem.

Disseste que estavas no Arena e eu tinha saido de lá há pouco tempo. Estive lá ao mesmo tempo que tu de certeza é não nos encontramos. Não nos encontramosno centro comercial mais pequeno e merdoso que conheço. Que merda de destino este, já viste...

Podia-me ter zangado contigo por não me teres dito nada mais cedo, mas gosto demasiado de ti e tinha tão pouco tempo para isso. Seja como for soube bem falar contigo, repito-o sem me cansar. Quando voltares temos que nos ver, nem que seja cinco minutos. Quero te contar umas coisas, quero te ver, quero ter-te ao pé de mim nem que seja por tempo muito limitado. Quando tiveres net avisa para falarmos mais e mais. Tenho vontade de te abraçar pela saudade que tenho de ti, por estes quase sete anos que nos conhecemos. Tenho vontade de te esganar por estas duas semanas. Só não te esgano porque te amo.



Marisa Maria